Empresa de Duarte Moral, ex-assessor de António Costa, recebeu em 2025 adjudicação da junta da Misericórdia (PS) e teve como concorrência a empresa da mulher.
Além dos factos relatados no artigo da SÁBADO de 2022, na operação de buscas em que o PS foi alvo esta quinta-feira, incluindo a sua sede em Lisboa, deverão também estar em causa factos posteriores relacionados com Duarte Moral, ex-assessor de António Costa no governo e na câmara de Lisboa, e a sua companheira, Rute Reimão.
Duarte Moral (à esq.) foi assessor de António Costa e é companheiro de Rute Reimão (à dir.)
No artigo de 2022 era referido como a empresa Diálogo Emergente (de que Duarte Moral é sócio) era uma peça central no carrocel de adjudicações e contratações entre a junta de Santa Maria Maior (Lisboa) e o PS de Mafra. Na altura, a empresa não tinha contratos públicos. Teve-os depois. Um deles, bem recente, é de 2025, para "consultoria de comunicação e imagem, informação, participação e cidadania" no valor de 22 mil euros para a junta da Misericórdia, liderada na altura por Carla Madeira, do PS, hoje vereadora da oposição na câmara de Lisboa.
O procedimento foi por consulta prévia e teve como concorrente a empresa Cidade Etérea, cuja proprietária é Rute Reimão, companheira de Duarte Moral e que tem vindo a ser contratada pela junta de Santa Maria Maior (além da WeMob, empresa municipal de Almada, na altura em que esta era presidida por outra peça deste puzzle, Dimas Pestana, ex-assessor do PS e trabalhador da Diálogo Emergente; como administrador estava também Rui Pedro Nascimento, sócio da Diálogo Emergente).
A outra empresa consultada é a BMD Comunication (nome atual), detida por um espanhol.
Este ano, a Diálogo Emergente voltou já a ser contratada por esta junta socialista, para o mesmo objeto, mas com o valor de 72 mil euros. Voltou a ser uma consulta prévia, mas sem indicação dos concorrentes.
Em ambos os procedimentos, os contratos têm rasurados os nomes de quem os assinou.
Hoje, a Polícia Judiciária desencadeou a operação "Imergente", que mobilizou cerca de 400 inspetores e peritos da PJ e sete magistrados do Ministério Público. Em comunicado, a 1.ª secção do DIAP Regional de Lisboa afirma que são 58 mandados de busca domiciliária e 31 de não domiciliária.
O DIAP de Lisboa refere ainda que o inquérito "tem por objeto principal a investigação de factos relativos a adjudicações por autarquias, cujo valor global ascende a quase dois milhões de euros, bem como a emissão de faturas para recebimento indevido, por dois suspeitos, de quantias de partido político".
Em causa a estão suspeitas da prática de crimes de "prevaricação, participação económica em negócio, peculato, abuso de poderes, burla qualificada, falsificação de documento e fraude fiscal qualificada", pode ler-se no mesmo comunicado.
Duarte Moral, que atualmente era assessor de José Luis Carneiro, foi um dos detidos.
Buscas no PS. Marido e mulher foram concorrentes na mesma adjudicação
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