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Edifício Transparente no Porto vai ser parcialmente demolido e Câmara procura alojar empresas

Renata Lima Lobo , Lusa 08 de abril de 2026 às 17:30

É uma das obras mais polémicas da cidade e, mais de duas décadas depois, vai perder dois pisos. Câmara do Porto quer tentar assegurar espaços alternativos para as empresas ali instaladas.

Foi erguido no ano em que o Porto se tornou Capital Europeia da Cultura em 2021, mas nunca serviu para grande coisa. Tornou-se, ao longo dos anos, uma espécie de muro em frente à praia. Localizado quase em cima do areal vizinho do Castelo do Queijo, na fronteira da cidade do Porto com Matosinhos, vai agora perder os dois últimos pisos.

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O Edifício Transparente, no Porto, vai ser parcialmente demolido, num processo com partilha de custos entre a Câmara e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que pretende "renaturalizar" a Praia Internacional, foi anunciado esta terça-feira pela ministra do Ambiente. "Encontrámos no ministério muitos problemas de há muitos anos, de há algumas décadas. Este é da altura do Porto, Capital Europeia da Cultura [em 2001]. É um edifício que está no domínio marítimo e vai ser reformulado. Há um acordo já entre a APA e a Câmara, de partilha de custos, para baixar muito mais aquele edifício alto, para bem do ambiente, da paisagem e das pessoas, porque é uma praia muito bonita e está ali aquele edifício muito feio", observou Maria da Graça Carvalho, em resposta a questões dos jornalistas após uma visita às obras de consolidação do paredão de Moledo, em Caminha, distrito de Viana do Castelo.

Os custos e os prazos da obra não foram avançados pelo presidente da APA, José Carlos Pimenta Machado, que avança com a ideia de "cortar o edifício à cota do viaduto, deixar a parte de baixo para apoio de praia e renaturalizar a praia, colocar areia e criar condições para uma nova praia com qualidade". Outro dos objetivos da intervenção no Edifício Transparente, de acordo com Pimenta Machado, é "melhorar a relação entre o Parque [da Cidade] e a Praia Internacional, onde a qualidade da água tem vindo a melhorar.

Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto - para quem o Edifício Transparente é "uma obra sem grande sentido" - esclarece que na parte de baixo continuará a existir o "chamado apoio de praia", ou seja, um equipamento que poderá ter escolas de surf, lojas comerciais e esplanadas que promovam o convívio e a vida urbana".

O espaço está concessionado à Hottrade -- Representações, Gestão e Serviços, sendo que, aquando da sua inauguração, em 2007, o Edifício Transparente estava equipado com 23 espaços comerciais e de restauração, lazer e entretenimento, entre os quais 10 restaurantes e nove lojas de moda e serviços.

O prazo da concessão da estrutura está a terminar e esta quarta-feira o edil mostrou disponibilidade para ajudar os empresários do Edifício Transparente a encontrar espaços alternativos, considerando que a demolição parcial do imóvel é uma "grande notícia" para a cidade. "Quem está a liderar uma câmara tem sempre de colocar o interesse coletivo acima dos interesses particulares e este é um caso evidente. As pessoas estão ali, mas sabem qual é o prazo para que têm que estar ali (...) se for preciso o auxílio da Câmara, estamos absolutamente disponíveis para encontrar espaços alternativos", afirmou Pedro Duarte, ressalvando que não acredita que será preciso essa ajuda. O autarca espera que a demolição avance em 2027, mas não especificou os custos desta operação, já que o projeto ainda não está elaborado.

Projetado pelo arquiteto catalão Solà-Morales e construído no âmbito da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, o Edifício Transparente foi concessionado em junho de 2004 por um período de 20 anos, prazo que já tinha sido prorrogado em 2024, por um ano, e voltou a ser prolongado até junho deste ano.

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