Almeida Santos homenageado como "homem de convicções firmes" e "figura maior" da democracia
No 25.º Congresso do PS, em Viseu.
Os socialistas homenagearam este domingo no 25.º Congresso do PS o antigo presidente da Assembleia da República António de Almeida Santos como um "homem de convicções firmes" e uma "figura maior" da democracia, no centenário do seu nascimento.
Momentos antes do discurso de encerramento do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, foi exibido no pavilhão multiúsos de Viseu um vídeo com várias fotografias da vida de Almeida Santos.
"Há homens cuja vida se confunde com a própria historia desse país", realçou o narrador do vídeo, lembrando o início da vida do socialista, em Coimbra.
Almeida Santos foi definido como um "homem de convicções firmes", que "cedo percebeu que o Direito só faz sentido quando está ao serviço da dignidade humana".
O socialista defendeu presos políticos durante a ditadura e foi um "defensor incansável da liberdade, justiça social e igualdade", acrescentou-se no vídeo.
"Um dos grandes legisladores do regime democrático, mostrou que a política pode ser firme sem perder a humanidade", foi enaltecido.
Cem anos após o seu nascimento, o PS recordou Almeida Santos "não apenas como uma figura maior da democracia mas como um homem livre".
"O seu legado vive na democracia que ajudou a construir", rematou o vídeo, que contou com um testemunho do atual presidente, Carlos César, afirmando que Almeida Santos "foi, é e será o nosso presidente para sempre".
A exibição do vídeo terminou com aplausos de pé dos presentes.
O socialista António de Almeida Santos morreu em 18 de janeiro de 2016, aos 89 anos.
Nasceu a 15 de fevereiro de 1926 em Cabeça (Seia) e licenciou-se em direito na Universidade de Coimbra em 1950. Foi intérprete do canto e da guitarra de Coimbra.
Como independente, foi ministro da Coordenação Interterritorial dos I, II, III e IV Governos Provisórios e ministro da Comunicação Social do VI Governo Provisório.
No I Governo Constitucional (1976-78), liderado pelo seu amigo Mário Soares, foi ministro da Justiça, cargo em que se destacou como um dos principais legisladores do executivo.
Enquanto ministro da Justiça, aderiu ao Partido Socialista (PS), no II Congresso deste partido.
No II Governo Constitucional foi ministro adjunto do primeiro-ministro e no VI Governo Constitucional foi ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares.
Desempenhou um papel determinante da primeira revisão constitucional em 1982 e, novamente, em 1988-1989. Nesta última, foi eleito vice-presidente da comissão de Revisão Constitucional.
Foi eleito Presidente da Assembleia da República nas VII e VIII Legislaturas.
Era membro do Conselho de Estado desde 1985. Foi ainda presidente do grupo parlamentar do PS entre 1991 e 1994.