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Albufeira. Presidente da câmara do Chega nomeia irmã

Marco Alves 22 de janeiro de 2026 às 12:43

"Sei que todos os presidentes de câmara gostariam de ter uma irmã qualificada como esta para trabalhar em prol dos munícipes!", diz Rui Cristina, que salienta que a irmã Sara, agora adjunta, "ingressou em regime de mobilidade" vinda da câmara de Loulé

Poucos dias depois de ter vencido a câmara de Albufeira pelo Chega e tomar posse, Rui Cristina nomeou a sua irmã, Sara Cristina, para adjunta. Na prática, a nomeação não foi formalizada pelo próprio presidente, mas por uma das suas vereadoras, Cristina Corado, conforme se verifica (no ponto 7.11) da reunião do executivo de 16 de dezembro de 2025 - Rui Cristina não esteve presente.
Irmã de Rui Cristina nomeada adjunta no gabinete dos vereadores do Chega em Albufeira DR
A nomeação (note-se que Rui Cristina insiste, como veremos mais à frente, que não foi uma nomeação) não está ainda publicada em Diário da República, mas segundo indica a Ordem de Trabalhos Sara Cristina já pertence à função pública, uma vez que chega à câmara de Albufeira em regime de mobilidade. Terá "função de coordenação, como adjunta no Gabinete de Apoio aos Vereadores". O único registo de Sara Cristina no Diário da República data de 2011, quando da câmara de Loulé. Em 2021, Sara Cristina foi candidata autárquica em Loulé pelo PSD (partido pelo qual o irmão era deputado na Assembleia da República antes de se mudar para o Chega), como se vê nesta publicação, onde enunciava o seu currículo.
Em reunião de assembleia municipal de 30 de dezembro (), Rui Cristina, "para efeitos de esclarecimento público" sobre a nomeação da sua irmã, leu a seguinte declaração: "Informa-se que a Eng.ª Sara Cristina desempenha funções na Câmara Municipal de Albufeira em regime de mobilidade, nos termos da legislação aplicável, mediante procedimento administrativo sustentado na avaliação do mérito e das competências curriculares. Assim, não se trata de uma nomeação política. É má fé afirmar nomeação política (é designação)! O seu currículo permite comprovar a experiência e as qualificações adequadas às funções de Adjunta à Vereação, assegurando-se a observância dos princípios de transparência, lealdade e rigor na atuação municipal, com finalidade de assegurar a eficácia dos serviços em prol dos munícipes."
E continuou Rui Cristina: "O processo e os respetivos fundamentos podem ser analisados e, se alguém entender necessário, existem os trâmites legais adequados para o efeito. Quem tiver dúvidas pode recorrer aos meios administrativos e legais ao seu dispor, nos termos da lei E para que não restem dúvidas, ficam aqui algumas referências das habilitações académicas e formação: Licenciatura em Engenharia Civil, inscrita na Ordem dos Engenheiros com o registo nº 87050; curso de Especialização em Gestão Integrada Ambiente, Segurança e Qualidade, ministrado pelo ISEC,  Instituto superior de engenharia de Coimbra; curso de Especialização em Direito do Ordenamento, do Urbanismo e do Ambiente, ministrado pela FDUC.Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra; curso de Pós graduação Direito Urbanismo e Turismo, ministrado pelo Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da FDUL.Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa; curso de Pós graduação de Urbanismo e Salvaguarda do Património, ministrado pela UALG; funções de Engenheira Civil na Câmara Municipal de Loulé desde 2007." Concluiu: "Sei que todos os presidentes de camara gostariam de ter uma irmã qualificada como esta para trabalhar em prol dos munícipes!" Em resposta à SÁBADO, Rui Cristina enviou-nos também listas de experiências e qualificações da irmã. E fez questão de precisar que não foi ele a fazer a contratação: "Foi a vereadora responsável pelos Recursos Humanos que conduziu o processo. Cumpre, aliás, referir que não existiu qualquer nomeação ou designação, mas apenas um procedimento de mobilidade previsto nos artigos 92 e seguintes da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, uma vez que a Eng. Sara Cristina é, desde 2007, trabalhadora em funções públicas. Tratou-se, portanto, de um processo de mobilidade, e não de uma nova contratação pública que veio onerar o Município, mobilidade essa que ocorreu na mesma carreira e categoria. Além disso, justamente pelo facto de ser irmã do presidente, o mesmo declarou, em despacho, o seu impedimento para tratar qualquer assunto relacionado com a referida mobilidade ou outro qualquer assunto relacionado com a mesma trabalhadora." Quisemos precisar a modalidade do ingresso de Sara Cristina na câmara, ou seja, se não foi nomeada nem contratada, qual a modalidade: "A Eng. Sara Cristina ingressou na Câmara em regime de mobilidade (não foi nomeada, designada ou contratada)", respondeu o autarca.
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