Sábado – Pense por si

Bruno Faria Lopes
Bruno Faria Lopes Jornalista
12 de maio de 2026 às 23:00

A nossa má relação com o vil metal

Os investimentos do governador do Banco de Portugal e a forma como os políticos gerem as suas finanças dá um retrato da nossa cultura sobre o dinheiro.

Há 20 anos escrevi no então suplemento de economia do Público, chamado Dia D (quem se lembra?), um artigo sobre como os ministros do Governo de José Sócrates geriam o seu dinheiro. Entre os poucos detalhes de que me lembro - um deles era o facto de Sócrates não ter declarado dinheiro em contas à ordem, o que à luz do que sabemos hoje ganha outra cor -, está o título: “Investidores típicos.” A maioria dos governantes tinha o dinheiro parado em contas à ordem ou a prazo, quase todos tinham imobiliário e, embora não me recorde se algum investia bem em ações ou obrigações, sei que havia poucos bons exemplos. Eram, em suma, o retrato acabado da cultura de investimento portuguesa, ultraconservadora e inerte.

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