Phineas Gage e os burgueses do teletrabalho
Pedro Marta Santos
21 de março

Phineas Gage e os burgueses do teletrabalho

A maior partida que a esquerda hoje nos prega é fazer de conta que nunca levou com uma barra de ferro na cabeça. Neste caso, a explosão aconteceu em câmara lenta: ao longo dos últimos 50 anos, o socialismo e o centro-esquerda foram sofrendo de amnésia cada vez mais grave quanto aos direitos dos trabalhadores.

PHINEAS GAGE, intérprete da mais célebre lesão cerebral de que existem registos, era um operário do New Hampshire especialista em explosivos. Às 16h30 do dia 13 de Setembro de 1848, Gage, trabalhador incansável, tido aos 25 anos como homem educado e gentil, deixou explodir pólvora acidentalmente durante a construção de uma linha de caminho-de-ferro. A explosão propulsionou uma barra dos carris com tal potência que lhe atravessou o lado esquerdo do crânio. Milagrosamente, Gage sobreviveu. Sentiu-se enjoado, vomitou parte do cérebro e acabou por entrar em coma. Dez semanas depois, parecia são que nem um pero. Mas nunca regressou ao trabalho: recusava-se a colaborar com equipas e tornou-se cismático e irascível, insultando homens e mulheres sem motivo algum. Os amigos confessaram aos repórteres que aquele já não era Phineas Gage.

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