Vida inteligente
Pedro Marta Santos
28 de fevereiro

Vida inteligente

Pelo exemplo caseiro - duas guerras mundiais em meio século e milhares de ogivas nucleares apontadas às nossas cabeças no seguinte -, a hipótese de uma sociedade exoplanetária se autoextinguir é enorme. Talvez seja preferível limitarmo-nos à vida para além da pandemia

Se os últimos meses têm levantado dúvidas justificadas sobre a hipótese de existência de vida inteligente na Terra, os últimos dias têm sido dedicados à hipótese de existência (no passado) de vida microscópica em Marte. A precisão técnica e o voo de imaginação do actual trio de viagens exploratórias ao Planeta Vermelho remetem-nos para a única descoberta capaz de abrir um novo capítulo ontológico na história da humanidade: a vida extraterrestre.

Se a essa revelação se acrescentassem seres dotados de consciência, a forma e a natureza de sermos humanos sofreriam mudanças sem precedentes desde o Diálogo de Galileu em 1632. Após a descoberta em 1995 por dois astrónomos suíços do primeiro planeta rochoso fora do nosso sistema solar (um exoplaneta) em órbita de 51 Pegasi, uma estrela semelhante à nossa a 47,9 anos-luz da Terra, conheciam-se, até 11 de fevereiro último, 4.680 exoplanetas em 3.457 sistemas estelares. Depois de a NASA dedicar dois anos à análise dos dados obtidos pelo telescópio espacial Kepler, estimou-se em 2013 que, só na nossa galáxia, deverão existir cerca de 40 mil milhões de exoplanetas em zona habitável – ou seja, orbitando à distância de uma estrela cujo nível de radiação emitida permite a existência de água líquida na superfície.

Segundo imagens recolhidas pelo Hubble, haverá uns dois triliões de galáxias num Universo que se mantém em acelerada expansão graças a outro mistério, a energia escura. Ora, além de sugerir um enorme desperdício de espaço, a ausência de vida inteligente para lá de São Bento e do PSD é uma improbabilidade lógica e estatística. Como disse Ellen Stofan, ex-cientista chefe da NASA, à New Yorker em Janeiro, "deverão ser encontradas provas definitivas de vida fora da Terra nas próximas décadas". Porque não a descobrimos ainda, primitiva ou vibrante de inteligência?

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