Caminhos perigosos (1)
José Pacheco Pereira Professor
20 de maio

Caminhos perigosos (1)

Se caminharmos para uma sociedade em que basta acusar, para se obter resultados imediatos, estamos a criar novas injustiças, que estão longe de ajudar a erradicar aquelas que se pretende atacar.

Para quem não tem a ideia de que o "progresso" é inevitável e está inscrito na natureza das coisas sociais, há caminhos muito perigosos em curso. Há um claro processo de desgaste da democracia por uma combinação de fenómenos sociais, culturais e políticos, que inclui um ascenso da ignorância agressiva, da moda, do deslumbramento tecnológico, da tri-rio, sem memória, cada vez mais desigual, quem mostra força por falar mais alto vai tendo sucesso. É péssimo e com enormes consequências.

Uma das consequências é que cada um dos caminhos perigosos que refiro a seguir deveria ser matéria de debate público e controvérsia. Não é, nem percebido, nem discutido, nem tido em conta. Mesmo que seja para discordar, porque como cada um destes caminhos tem autores, podiam ao menos explicar-se, já não digo justificar-se.

Caminhos perigosos (2) Não basta acusar
Um candidato autárquico do BE foi acusado de violência por uma antiga namorada. Como se tratava de alguém do BE, houve logo quem usasse o tema para incomodar o BE com a denúncia das suas contradições na matéria. Resultou, o BE ficou bastante incomodado e pressionou o seu candidato a desistir, o que este fez. O próprio negou as acusações e retribuiu-as: não era ele o violento, mas sim ela. Não se conhece mais nada sobre o caso a não ser a acusação, a negação da acusação, a outra acusação e os reflexos políticos tribais habituais nos dias de hoje.

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