Alguém explique porque querem acabar com o SEF
Nuno Tiago Pinto Chefe de redação
26 de fevereiro

Alguém explique porque querem acabar com o SEF

Há inúmeros motivos para se eliminar um serviço do Estado: ele ter-se tornado obsoleto, ser um sorvedouro de dinheiros ou revelar-se um antro de más-práticas. Não parece ser esse o caso do SEF. 

Hicham el Hanafi e Abdesselam Tazi chegaram a Portugal em setembro de 2013. Ambos traziam documentos de identificação falsos. E quando, no aeroporto de Lisboa, foram impedidos de entrar em Portugal pelos agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras fizeram o que muitos milhares de imigrantes fizeram antes e depois deles: pediram asilo. 

Ambos disseram às autoridades estarem a escapar às perseguições movidas pelas autoridades marroquinas devido às suas posições políticas. Durante uma semana ficaram instalados no Centro de Acolhimento Temporário do aeroporto. Depois foram alojados no Centro de Acolhimento para Refugiados, na Bobadela, onde ficaram livremente a aguardar que o seu processo fosse avaliado pelas autoridades portuguesas. 

Dois anos mais tarde, já com a autorização de residência concedida, e instalados em Aveiro, Hanafi e Tazi começaram a viajar para a Europa. E o primeiro, o mais novo, começou a ajudar a trazer parte da família para Portugal. Mas quando o seu irmão mais velho, Amine El Hanafi chegou a Lisboa encontrou uma pessoa muito diferente daquela que tinha deixado Marrocos: Hicham tinha passado a cumprir escrupulosamente o que dizia serem as obrigações religiosas, recusava cumprimentar uma prima por ela não estar vestida devidamente e todas as conversas terminavam, inevitavelmente, em discussões sobre a jihad e a guerra na Síria. 

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