Sem emenda
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
31 de dezembro de 2021

Sem emenda

Há reformas que precisam do PS e do PSD sentados à mesma mesa. Mas o que se passou nos últimos anos, sob o alto patrocínio de Rui Rio, foi o aviltamento de qualquer ideia de oposição democrática.

À primeira vista, está tudo bem e recomenda-se. Falo da democracia pátria. Temos partidos. Temos eleições. Temos uma imprensa livre, ou razoavelmente livre. E temos a vigilância de Bruxelas, que sempre vai limitando os estragos dos nativos.

Mas depois, quando raspamos a superfície, logo emerge a velha cultura política: um País que continua a preferir o consenso e o sebastianismo a qualquer forma adulta e pluralista de democracia.

Dois sinais. O primeiro, mais ou menos óbvio, é o clamor nacional em torno do almirante Gouveia e Melo. Que o senhor foi de uma competência exemplar no processo de vacinação, ninguém nega. Que a sua saída da task force foi um erro político grave, sobretudo quando a terceira (ou a quarta) dose já faz parte da vacinação normal, também parece evidente.

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