O Estado e o estrume
Eduardo Dâmaso Director
20 de maio

O Estado e o estrume

No essencial, a festa do título do Sporting mostra uma completa ausência da noção de Estado e de autoridade política. Todos se procuraram desresponsabilizar e, com isso, deram um deprimente espetáculo de passa-culpas.

O que revela o desastre que foi a festa do título do Sporting, organizada pela Juventude Leonina? A incompetência do Governo ou da câmara de Lisboa? Da PSP ou do próprio clube? No essencial, a festa do título do Sporting mostra uma completa ausência da noção de Estado e de autoridade política. Todos se procuraram desresponsabilizar e, com isso, deram um deprimente espetáculo de passa-culpas, evidenciando a incompetência de todos os intervenientes nesta história, exceção feita ao clube que é o menos culpado.

A câmara de Lisboa, o Governo, onde um irrelevante secretário de Estado do Desporto se dá ao luxo de abrir o tiro contra o ministro da Administração Interna, com Fernando Medina a aplaudir, passando pelo ridículo a que foi exposta a PSP, todos mostraram a face não confiável de uma parte do poder político e de uma polícia. Sobretudo, todos mostraram que o Estado que servem falha, redondamente, quando se trata de servir os cidadãos em terrenos tão decisivos para a construção da sua perceção sobre a ação das autoridades, como a segurança e o bem-estar coletivo.

A única coisa que, neste caso, é diferente face ao que se passa na exploração da imigração em Odemira e no esquecimento a que esta parte do território tem sido votada, é a matriz do acontecimento. Aqui trata-se de uma inaceitável perturbação da ordem pública e sanitária, ali trata-se de uma evidente violação de direitos humanos e de discriminação em razão da distância de Lisboa e do poder político. Num e noutro caso, o mesmo Estado falha estrondosamente.

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