Sábado – Pense por si

Maria Henrique Espada
Maria Henrique Espada
28 de julho de 2026 às 23:50

Quem tem medo do eleitor?

As sondagens são só sondagens – no início de março de 2025, Pedro Nuno Santos também surgia na liderança, para depois perder estrepitosamente – mas dão um sinal. Que esse sinal imponha cautela generalizada é hoje o maior fator de estabilização da política portuguesa. Mudanças significativas nos alinhamentos podem mudar tudo, mas enquanto assim estivermos, valha-nos o Santo Inquirido.

Em 2010, José Sócrates celebrizou esta frase: “Como se diz em espanhol, para dançar o tango são precisos dois. Durante muitos meses não tinha parceiro para dançar.” O novo parceiro era Pedro Passos Coelho e a coreografia prendia-se com a aprovação do primeiro PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento), um eufemismo para a austeridade já necessária, e que ainda assim não evitaria a bancarrota – nem o fim da dança, logo em 2011, e nem a vitória do PSD. Sócrates, sem maioria de 2009, tinha o mesmo problema de Montenegro e a estabilidade dependia de danças de ocasião.

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