Congo ficção
Paulo Batista Ramos
02 de março

Congo ficção

Seguidamente surgiram as ONG e os media internacionais e nasce o mito de que a "primeira guerra mundial africana" tinha sido provocada pela corrida ao coltan ou mangano, como é conhecido na RDC. 

O Kivu Norte, província da República Democrática do Congo (RDC), que juntamente com o Kivu Sul faz fonteira com o Uganda, Ruanda e Burundi, constituindo o epicentro da região dos Grandes Lagos, já só é notícia quando é assassinado um diplomata ou um gorila no parque nacional do Virunga. 

Surgindo nos escaparates internacionais mirabolantes explicações do sucedido, eivadas de lugares-comuns e de leituras de última hora. O RDC é big business para a ajuda humanitária, para os inoculadores de direitos humanos e os cultores da paz. Destaque-se que, a comitiva do falecido Embaixador italiano seguia numa escolta do Programa Alimentar Mundial, sendo as causas do seu homicídio desconhecidas.

Deste capitalismo humanitário fazem parte centenas de ONG, agências intergovernamentais, e instituições estatais dedicadas ao desenvolvimento. Cada um à procura do seu morceau de Congo, como os governos em Kinshasa bem conhecem e instrumentalizam a seu belo prazer.

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