Sábado – Pense por si

Miriam Assor
Miriam Assor
26 de janeiro de 2026 às 17:53

Farinha do mesmo saco

Israel é um país democrático. No reino do Aiatolá, a garantia resume-se à execução. Ides para lá de barquinho e depois digam como é o além.

Extremismo. Ameaça à democracia. Ataque à constituição. É o trio de arma infantaria para destronar André Ventura. Calma. O seu estilo xerife enerva unhas, um paleio pautado e carregado de generalizações. De acordo. Contudo,  até ser um ditador, caros senhores, e de querer instalar a ditadura em Portugal, há uma estrada sem fim a percorrer. Bebam água. Vejam menos filmes. Leiam. Curiosamente, aqueles que lhe atiram à cara o epíteto de caudilho ladrão da liberdade e alinham com António José Seguro são partidos conexos até ao tutano com tudo o que não rima com moderação. Que se veja qual é o lado que o PCP esteve, e está, na invasão da Rússia à Ucrânia. Oficialmente, não apoia a Rússia, nem o governo da Ucrânia. Típico. Dizem-se força pela paz. É. Tal e qual. A postura adoptada destoa da improvável pomba branca na Soeiro Pereira Gomes: recusa em condenar a ocupação russa. Essa é que é. Em Março de 2025, o PCP foi o único partido que ficou com o cóccix na cadeira para não participar numa ovação a uma delegação ucraniana na Assembleia da República. Meio século atrás, em 1975, doeu-lhes o facto de Portugal ter, em boa hora, escolhido o caminho da democracia europeia pluralista em detrimento de modelos autoritários. Não tinha sido parido, o Bloco de Esquerda, é verdade, mas os seus três partidos fundadores — a UDP, o PSR e a Política XXI — já andavam na terra e envolveram-se nos acontecimentos daquela época. A UDP, marxista-leninista, à esquerda do PCP, apelou à mobilização das massas e à resistência armada contra o grupo dos Nove liderado por Ramalho Eanes.As raízes do PSR vinham da Liga Comunista Internacionalista, matriz trotskista, extrema-esquerda entusiasta da COPCON de Otelo Saraiva de Carvalho. A Política XXI, surgiu apenas nos anos 90, composto por dissidentes do PCP, e nesse febril ano de 1975,  integravam a estrutura do Partido Comunista. Hoje em dia, mantém visão turva em relação às celebrações oficiais do 25 de Novembro, visto, e mal, pelo Bloco como o momento que travou conquistas sociais importantes. O PCP conserva a postura de não condenação e de solidariedade com a República Popular Democrática da Coreia, e a importância do tema na agenda do partido tem diminuído, privilegiando-se conflitos noutras geografias, como na Palestina. Com o  Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português partilha uma base comum: condenam Israel e aplaudem o terrrorismo do Hamas. Os bloquistas enfiam-se em flotillas, enrolam o lenço ao pescoço e exteriorizam a posição à larga. Os comunistas, esses, evitam isolar o Hamas nas críticas e não o classificam de organização terrorista. 

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