O estado paliativo dos cuidados paliativos
Margarida Balseiro Lopes Presidente da JSD
13 de setembro de 2018

O estado paliativo dos cuidados paliativos

No passado dia 6 de Setembro, por via de uma portaria soubemos da opção de excluir da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados doentes com necessidades paliativas. E é inevitável a perplexidade.

No passado dia 6 de Setembro, por via de uma portaria soubemos da opção de excluir da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados doentes com necessidades paliativas. E é inevitável a perplexidade. Quando se devia estar a investir no apoio aos doentes com necessidades paliativas, vem o Governo tomar esta opção precisamente no caminho oposto que é o de limitar o acesso?

No entanto, após a reacção da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, que manifestou a sua preocupação com esta medida, veio a Comissão Nacional de Coordenação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) esclarecer que, afinal, a nova portaria que regula a rede não exclui a prestação de acções paliativas por parte das unidades e equipas a doentes com estas necessidades, dado que o que constitui como critério de não admissão é a necessidade de cuidados paliativos complexos - não se encontrando assim prejudicada a prestação de cuidados paliativos em si.

Ora, sabemos que as redes de cuidados continuados e paliativos não são estanques, o que significa que existem doentes com necessidades paliativas menos complexas que se encontram num espaço cinzento entre os dois tipos de unidades. Ora, sabemos que as redes de cuidados continuados e paliativos não são estanques e que actualmente a rede nacional de Cuidados Paliativos não tem capacidade para absorver todos os doentes que carecem destes cuidados. Inevitavelmente, com esta portaria, será criada mais pressão sobre os serviços de urgência e o internamento de agudos sobretudo num ano em que existem unidades de Cuidados Paliativos que fecharam camas por ordem do Ministério.

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login