Dois escândalos por semana
João Paulo Batalha
16 de junho

Dois escândalos por semana

A sucessão de casos, e o deserto de responsabilidade política que os acompanha, não são mera guerrilha política. São um sinal da lenta agonia do Estado democrático.

Felizmente, a seleção jogou ontem. Se jogasse hoje, bico calado. "Hoje é dia de futebol, e aqui estamos todos unidos em torno do futebol e, portanto, eu não vou agora estar a falar de outros temas, porque é desconcentrar o fundamental". 

Isto não foi Cristiano Ronaldo a responder a perguntas sobre a Coca Cola, nem Fernando Santos questionado sobre a Plaza Mayor da TAP. Se fossem, percebia-se a resposta. A frase foi dita ontem pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em resposta a questões sobre o desacerto público com António Costa acerca do confinamento ou desconfinamento pandémico – um tema que, convenhamos, é relevante para as pessoas e as empresas planearem a sua vida, organizarem poupanças ou investimentos, prepararem o que aí vem. 

Marcelo Rebelo de Sousa não é obrigado a responder a perguntas dos jornalistas, se não quiser. Escusava era de exibir a sua ordem de prioridades. Entre a gestão da pandemia, a solidez da relação institucional entre a Presidência e o Governo e fazer claque num jogo de bola, o Presidente da República concentrou-se no "fundamental": o jogo de bola. Se a vergonha alheia que senti valesse dinheiro, já tinha com que oferecer a Marcelo pompons e minissaias, para ele usar no próximo jogo da seleção. 

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