Os idiotas úteis do Irão e o Direito Internacional
Neste universo mental, a política internacional não é um confronto entre regimes com valores incompatíveis. É uma sequência de pareceres jurídicos, notas de rodapé e interpretações doutrinárias que fazem jurisprudência gerando precedente em que a moral é relativa.
Durante décadas, Teerão tratou as regras internacionais com a mesma reverência que um pirómano dedica ao manual de segurança contra incêndios. Não foi por falta de oportunidades para o cumprir. Foi por falta de interesse.
O regime iraniano passou quarenta anos a financiar milícias por todo o Médio Oriente. Armou os houthis no Iémen, o Hezbollah no Líbano e patrocinou o Hamas em Gaza. Tudo isto com a serenidade estratégica de quem sabe que as resoluções internacionais são excelentes para discursos e péssimas para travar guerras por procuração.
Dentro de casa, o currículo é ainda mais pedagógico. Quando os iranianos saem à rua para protestar pacificamente contra a teocracia que os governa, a resposta do regime é simples: balas, prisões e execuções. Só nas vagas recentes de protestos morreram dezenas de milhares de pessoas e outras tantas foram detidas, perseguidas e torturadas. Isto não é um detalhe de contexto. É a natureza do regime.
O Irão não é uma “democracia imperfeita” nem um Estado autoritário com eleições duvidosas. É uma ditadura teocrática que reprime o seu povo, exporta instabilidade regional e passa a vida a prometer a destruição do Ocidente. Não são metáforas. São slogans oficiais: “Morte à América”, “Morte a Israel”.
Para qualquer pessoa que não esteja intelectualmente corrompida pelo relativismo moral pós-moderno, a conclusão é óbvia: estamos perante um regime que é um mal em si mesmo, profundamente hostil à ordem liberal.
E, no entanto, sempre que alguém sugere que talvez não seja prudente deixar esse regime agir impunemente, surge o coro dos juristas militantes a recordar que atacar o Irão violaria o Direito Internacional.
O argumento tem uma elegância peculiar. As democracias devem respeitar escrupulosamente regras que as ditaduras ignoram com entusiasmo. Resultado: o Ocidente fica numa camisa-de-forças jurídica enquanto regimes revolucionários continuam a financiar milícias, ameaçar países, a esmagar o próprio povo e promover terrorismo internacional.
Eu não sou jurista, mas esta é uma interpretação do Direito Internacional que transforma as leis numa espécie de algemas que prendem apenas em quem as respeita.
A comparação ocasional com a Ucrânia leva esta lógica ao absurdo completo. A Ucrânia cumpriu o Direito Internacional, respeitou fronteiras e até entregou o seu arsenal nuclear. Foi invadida pela Rússia sem ter provocado absolutamente nada que justificasse o ataque dos saudosistas do imperialismo soviético. O Irão, pelo contrário, passou décadas a financiar assassinos sanguinários e a exportar a sua revolução teocrática. Colocar os dois casos na mesma frase exige uma forma muito particular de ginástica moral e de desonestidade intelectual.
Em Portugal, os praticantes dessa modalidade de alta flexibilidade são previsíveis. O Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e o Livre descobriram uma devoção quase religiosa pelo Direito Internacional — curiosamente sempre que o seu resultado prático é impedir qualquer acção contra regimes anti-ocidentais. E partes do Partido Socialista parecem partilhar a mesma fé processual, nomeadamente José Luís Carneiro no último debate quinzenal.
Neste universo mental, a política internacional não é um confronto entre regimes com valores incompatíveis. É uma sequência de pareceres jurídicos, notas de rodapé e interpretações doutrinárias que fazem jurisprudência gerando precedente em que a moral é relativa.
O resultado final é sempre o mesmo: qualquer ação ocidental é ilegal; qualquer brutalidade autoritária é contextualizada. No fundo, por eles, o regime iraniano poderia continuar a financiar milícias, reprimir o seu povo e prometer a destruição do nosso modo de vida. Porque para eles, seres moralmente superlativos detentores da verdade absoluta, todos temos de concordar que a verdadeira ameaça à paz mundial não seria o ditador financiador de terroristas… Seria alguém fazer alguma coisa quanto a ele. São estes os idiotas úteis do Irão que pululam alegremente no Ocidente.
Os idiotas úteis do Irão e o Direito Internacional
A fórmula política (PS ou PSD, é tudo igual, aqui) é esta: aumenta-se o salário mínimo, mantêm-se os restantes salários quase iguais e proclama-se a valorização do trabalho.
A diferença nunca esteve nos princípios. Esteve apenas no clube. Pedro Sánchez foi tratado durante anos como o zénite moral da esquerda que ignorou a forma como ele vendeu os mais basilares princípios do unionismo espanhol para se manter no poder.
Numa metamorfose que merece estudo, André Ventura protagoniza uma conversão ideológica. André Ventura merece sobretudo um megafone emprestado pela CGTP e um lugar destacado na próxima greve geral.
Depois de oito anos como Presidente da Câmara de Lisboa e oito anos como Primeiro-Ministro, Costa descobriu o problema da habitação num discurso em Bruxelas. Dezasseis anos. Dois mandatos autárquicos e dois governamentais. Uma cidade inteira e um país inteiro. E foi preciso uma cadeira no Conselho Europeu para a epifania chegar.
Para poder adicionar esta notícia aos seus favoritos deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.
Para poder votar newste inquérito deverá efectuar login.
Caso não esteja registado no site da Sábado, efectue o seu registo gratuito.