Se os nazis da AfD voltarem a ter um resultado eleitoral igual ou semelhante ao que obtiveram no Estado Federal de Saxónia-Anhalt, um desfecho nada de bom resultará para as populações europeias.
A vitória do bloco de partidos de esquerda nas eleições parlamentares realizadas na Suécia no passado Domingo, dia 13 de setembro, poderá ficar ensombrada se nas votações que hoje se vão realizar na Alemanha os nazis da AfD voltarem a ter um resultado eleitoral igual ou semelhante ao que obtiveram no Estado Federal de Saxónia-Anhalt.
Se isso acontecer, é bem possível que o governo central alemão não sobreviva por muito mais tempo. E uma tal situação influenciará seguramente o destino da União Europeia.
E de um tal desfecho nada de bom resultará para as populações europeias.
Como a História da Europa bem demonstra, a capacidade de destruição que os nacionalismos já mostraram no passado é enorme. E o mesmo acontecerá se voltarem a assumir o controle do poder no presente.
O exemplo de Giorgia Meloni e até a aparente moderação de Marine Le Pen, ou a recente derrota eleitoral de Viktor Orbán na Hungria, não devem fazer-nos esquecer os tempos da Segunda Guerra Mundial e os que antecederam essa colossal tragédia.
Aliás, o Grupo de Visegrado (composto pela Polónia, Hungria, Chéquia - antiga República Checa - e Eslováquia) não se dissolveu com a mudança de governo na Hungria e o seu pendor conservador, próximo da extrema-direita, continua forte e operante.
Infelizmente, por toda a Europa, tal como acontece em Portugal, a destruição do Estado Social e o contínuo e sistemático enfraquecimento da Democracia e do Estado de Direito, que estão a ser operados pelos partidos do bloco central de interesses que governam os países da União Europeia, não estão a ter como consequência o reforço eleitoral daqueles que querem inverter esse destrutivo percurso politico-ideológico que se iniciou com a queda do Muro de Berlim e a implosão quer do Pacto de Varsóvia quer da própria União Soviética, mas sim aqueles que tudo fazem para que o Mundo volte aos tempos em que os vários fascismos dominavam o continente europeu.
E com a expressão vários fascismos, quero significar também o nazismo.
É que, como nunca me cansarei de repetir, os fascismos são nacionalistas e, mantendo traços ideológicos comuns, assumem características específicas que são próprias de cada um dos povos em que esses partidos políticos se tornaram dominantes.
Daí que na Alemanha essa corrente política tenha assumido a forma extremista do nazismo e em Portugal a dos pretensos brandos costumes do salazarismo. E outros exemplos podem ser referidos, para além do primeiro a ocupar o poder, qual seja o italiano, nomeadamente o francês, o inglês, o húngaro e até o estado-unidense (os EUA, ao contrário do que por lá se pensa, não são a totalidade da América).
Ou ainda o fascismo chileno, que aqui relembro porque, com tanta atenção dada ao “nine/eleven” - o 11 de setembro de 2001, data do atentado terrorista cometido pela Al-Qaeda então liderada pelo saudita Osama Bin Laden -, nada foi dito e escrito na imprensa mundial acerca do igualmente terrorista e sangrento golpe de estado ocorrido a 11 de setembro de 1973, sob a liderança do sinistro Augusto Pinochet.
Golpe de estado este do qual resultaram muito mais mortes do que as que foram perdidas com aqueles ataques suicidas de 2001.
Não pretendo, de forma alguma desvalorizar o acto criminoso praticado pelo terrorista islâmico, mas opor-me-ei sempre, com todas as minhas forças, ao apagamento da memória do acto criminoso perpetrado pelo igualmente terrorista e pretenso cristão Augusto Pinochet contra o governo legítimo do Chile liderado por Salvador Allende, que foi assassinado nesse dia 11 de setembro de 1973 no palácio presidencial de La Moneda.
E, não por coincidência, relembro que Osama Bin Laden foi fortemente financiado - e quem sabe se não também treinado - por sucessivos governos dos EUA, através da CIA, para combater os soviéticos no Afeganistão, e o golpe de estado de Augusto Pinochet teve o apoio, financeiro e logístico, dessa mesma agência de espionagem estado-unidense e do próprio governo desse país.
Era na altura presidente dos EUA o notório Richard Milhous Nixon que, de um modo muito frontal e público, se opunha feroz e activamente (e sem sequer se preocupar em o disfarçar) ao governo do socialista marxista Salvador Allende.
Tal como hoje (Donald Trump apenas verbaliza essa posição sem qualquer pudor ou vergonha), para os governantes estado-unidenses, a América é o seu “quintal”.
Toda a América, mas muito particularmente a Central e a do Sul.
O que não impede os EUA de intervir onde bem lhes apetece, sem se preocupar com as consequências dessas suas intervenções.
Recordo aqui o dia 19 de agosto de 1953, quando os governos do Reino Unido, então liderado por Winston Churchill, e dos EUA, presidido por Dwight Eisenhower, através das suas agências MI6 e CIA, derrubaram o governo legítimo do Irão, que tinha como primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh, para colocar no trono o Xá Mohammad Reza Pahlavi, cujos desmandos ajudaram a colocar no poder, em 1979, o regime iraniano que actualmente ainda sobrevive.
Regime esse que, mercê da intervenção só aparentemente dirigida por Donald Trump, mas realmente realizada para servir os interesses de Benjamin Netanyahu, deixou de ser dirigido pelos fundamentalistas religiosos (os ayatollahs) para o passar a ser pelos sanguinários e não menos fanáticos líderes dos Guardas da Revolução Islâmica.
Faróis da Liberdade e da Democracia como estes, não obrigado.
De facto, em minha opinião (que vale o que vale), a solução tem de ser construída a partir da experiência do Estado Social europeu, da qual comungam igualmente o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia.
Será com esse bloco de países, que, a meu ver, deverá agregar a si o Japão e a Coreia do Sul, que poderemos impedir que a Democracia e o Estado de Direito (e os valores éticos e morais que estão subjacentes e constituem a estrutura ideológica fundadora dessa forma de organização das sociedades) sejam erradicados da face do Planeta.
Porque esse (isto é, a destruição da Democracia e do Estado de Direito) é o objectivo dos amantes da guerra e dos social e economicamente poderosos que os controlam, já que, desse modo, não terão de sujeitar-se a regras e regulamentos que os impedem de dar rédea solta aos seus interesses egoístas.
E, neste momento, nesse combate, é essa gente que está a ganhar. Com uma já muito larga vantagem.
E é isso que, à pala do pior e mais incompetente governo do país desde o 25 de abril de 1974, está também a acontecer em Portugal. Do pior e mais incompetente governo e do pior e mais incompetente primeiro-ministro.
Por maior que seja a intoxicação das mentes (e ela é cada vez maior), é absolutamente inegável que só com cada vez mais Democracia e Estado de Direito será possível aos portugueses e às portuguesas voltar a ter o nível de vida que já tiveram.
Haverá é seguramente menos ricos e provavelmente nenhum super-rico como hoje existem.
Mas nada disso será conseguido com o Chega e o seu il capo André Ventura.
Os sociologicamente poderosos não gostam da Democracia
Se os nazis da AfD voltarem a ter um resultado eleitoral igual ou semelhante ao que obtiveram no Estado Federal de Saxónia-Anhalt, um desfecho nada de bom resultará para as populações europeias.
O livro “1984” poderá apenas fazer-nos compreender os mecanismos usados pelos totalitários para conquistar o poder e continuar a dominá-lo sem serem derrubados.
A 8 de setembro será debatida uma moção de censura ao governo apresentada pelo Chega. Efectivamente, o que André Ventura e os seus fiéis seguidores pretendem é continuar a ser o centro das atenções do mundo mediático.
Em vez de procurar combater os reais problemas, tanto este governo como o anterior, ambos liderados por Luís Montenegro, apenas criam, de forma continuada e avassaladora, novos problemas e escândalos.
Ao deixar arrastar todo este processo em que se procura descobrir que "esqueletos" tem no seu armário o ex-diretor nacional da PJ, o actual ministro da Administração Interna, está a prejudicar enormemente e de forma devastadora o prestígio, a credibilidade e até a eficiência e a eficácia da PJ no combate à criminalidade.
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