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Sudão: Quase 34 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária

15 de abril de 2026 às 14:49
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O conflito que o Exército do Sudão e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido travam desde 2023 transformou aproximadamente dois terços da população do país em requerentes de ajuda humanitária.

Quase 34 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária no Sudão, "o número mais elevado do mundo", alertou hoje a Coordenadora Humanitária da ONU no país, no terceiro aniversário do início da guerra civil.

No Sudão, conflito agrava crise e aumenta necessidade de ajuda humanitária
No Sudão, conflito agrava crise e aumenta necessidade de ajuda humanitária Eva Krafczyk/picture-alliance/dpa/AP Images

No comunicado emitido pelo Gabinete da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) no Sudão, Denise Brown denunciou os "três anos de guerra devastadora" e "a crise humanitária de enormes proporções e sofrimento" que os sudaneses enfrentam, uma crise "que se prolonga há demasiado tempo e vai muito além do que qualquer população civil deveria suportar".

O conflito que o Exército do Sudão e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) travam desde 2023 transformou aproximadamente dois terços da população do país em requerentes de ajuda humanitária, aponta-se ainda no documento.

A coordenadora da ONU destacou, no comunicado, a destruição de infraestruturas civis, como casas, mercados, hospitais ou escolas, criticou o uso "diário" de 'drones' em zonas povoadas e recordou que estão a ocorrer "ataques repetidos contra centros de saúde, que matam doentes e profissionais de saúde e cortam o acesso a serviços vitais".

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), só 63% das unidades de saúde do Sudão se encontram total ou parcialmente em funcionamento e existem 217 ataques confirmados a instalações de saúde desde o início da guerra.

Segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) existem 11.000 pessoas desaparecidas, cerca 4,5 milhões de refugiados em locais como o Egito, o Sudão do Sul, a Líbia e o Chade e cerca de nove milhões de deslocados no Sudão.

Além disso, segundo a ONU, "as mulheres e as raparigas enfrentam uma violência sexual generalizada, que inclui violações e violações em grupo", enquanto "os trabalhadores humanitários, a maioria dos quais sudaneses, continuam a arriscar, e com demasiada frequência, a perder as suas vidas para ajudar outros a sobreviver".

Para Brown, a "resiliência" dos civis sudaneses é "extraordinária", mas "não substitui a responsabilidade".

A ONU apela às partes para que haja "a cessação imediata das hostilidades", a proteção da população e das infraestruturas não militares, a existência de garantias para o exercício seguro das atividades humanitárias e o aumento do financiamento destinado à ajuda humanitária, "uma vez que qualquer atraso custa vidas".

Segundo o Programa Alimentar Mundial, mais de 19 milhões de pessoas enfrenta fome aguda.

No dia em que se assinala o início da guerra, o Governo do Sudão classificou como um ato que "reflete uma abordagem de tutela colonial" a conferência internacional prevista para hoje em Berlim, com o objetivo de mobilizar ajuda humanitária e procurar uma saída política para a devastadora guerra, ao considerar que se realiza "sem consultar ou convidar" o executivo de Cartum.

A guerra civil no Sudão, que eclodiu em 15 de abril de 2023 devido a desacordos em torno da integração do grupo paramilitar nas Forças Armadas, resultou já na morte de 59.000 pessoas, de acordo com a Armed Conflict Location & Event Data (ACLED), instituição que registou 1.032 civis mortos por ataques aéreos e com 'drones' em 2025.

O conflito no Sudão interrompeu a transição que havia começado após a queda do regime de Omar al-Bashir, em 2019, que já estava enfraquecido após o golpe que depôs o então primeiro-ministro, Abdalla Hamdok.

Segundo a Unicef, mais de 4.300 crianças foram mortas ou mutiladas na guerra e pelo menos oito milhões ainda não frequentam a escola.

Sexta-feira, em declarações à Lusa, fonte da ONU alertou que as partes em conflito no Sudão estão a recrutar crianças, um fenómeno que, acrescentou, poderá comprometer em parte o futuro do país devido ao trauma a que estão expostas.

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