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Países europeus estão a preparar-se para a guerra, como disse Putin?

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Vários países têm tomado medidas de precaução, na sequência de ataques híbridos russos de que a Europa tem sido alvo.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse na sexta-feira (18) que vários países europeus estão a “preparar-se para a guerra”. Existe uma ameaça sobre a Europa? A Alemanha, França, Lituânia e Suécia avançam com medidas preventivas, na sequência de crescentes ataques híbridos, atribuídos à Rússia, a países apoiantes da Ucrânia, nos últimos meses. 

Presidente russo afirmou que países europeus estão a preparar-se para a guerra
Presidente russo afirmou que países europeus estão a preparar-se para a guerra Vyacheslav Prokofyev/Sputnik, Kremlin Pool Photo via AP

Entre janeiro e agosto, registaram-se mais de100 ataques híbridos oficialmente confirmados na Europa, em comparação com 60 no mesmo período no ano passado, de acordo com a contagem do Sahaidachnyi Security Center. Ataques híbridos consistem em métodos não militares, como ciberataques, sabotagem ou desinformação, concebidos para pressionar ou desestabilizar um adversário.  

Nas últimas semanas, aviões da NATO abateram um drone russo sobre a Lituânia, um navio russo disparou sinalizadores contra um helicóptero militar dinamarquês e a Alemanha atribuiu à Rússia uma tentativa de ataque com drone ao aeroporto de Leipzig. Relatórios da inteligência americana, divulgados em agosto, alertavam que Moscovo planeava um ataque contra um país da NATO nos próximos anos. 

Ainda que Putin repita que não quer atacar a Europa, ele e o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergey Lavrov, deixaram claro que o envio de tropas para a Ucrânia, por parte de nações europeias, seria visto pela Rússia como uma declaração de guerra. Não se regista, de momento, uma ameaça iminente, mas a crescente tensão levou alguns países a adotar algum tipo de medidas de preparação.  

França

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que nas últimas semanas “a ameaça híbrida russa contra os europeus e contra França intensificou-se". A intenção é "intimidar-nos e frustrar os nossos esforços para apoiar a Ucrânia, mas o resultado será o oposto". Macron falava aos jornalistas, depois de uma reunião de emergência que convocou com líderes partidários e candidatos presidenciais, na sexta-feira (18), dedicada à Ucrânia, ao Irão e à crescente crise energética.  

No encontro, foi abordada a situação energética, nomeadamente a necessidade do governo proteger infraestruturas e instalações tecnológicas e industriais de defesa “sensíveis” de ataques cibernéticos e de drones. A preocupação estende-se aos transportes, comunicações e outros sistemas que possam afetar a vida quotidiana. Macron quer ainda convocar uma reunião do G7 para discutir os ataques híbridos.  

Polónia

A Polónia iniciou na quinta-feira (17) operações preventivas de aviação militar para proteger o seu espaço aéreo, depois de detetar ataques russos. No domingo (13), um drone russo atingiu um comboio de passageiros perto da fronteira com a Ucrânia. No início do mês, outro ataque aéreo atingiu uma fábrica de drones polaca.  

O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, considera haver um “risco real” de Moscovo enviar drones ou mísseis para países da NATO apoiantes da Ucrânia “nos próximos meses”. 

Suécia

A ilha sueca de Gotland lozaliza-se a 275 quilómetros de Kaliningrado, território russo altamente militarizado entre a Lituânia e a Polónia. O controlo da ilha daria à Rússia acesso a operações marítimas e aéreas na região.  

Por isso, tem sido reforçada a capacidade militar da região, através do regresso do serviço militar obrigatório, e investimento em armamento. Os planos de defesa da Suécia para 2025-2030 incluem a possibilidade de um ataque surpresa da Rússia, seja por via aérea ou marítima. O país já aumentou o investimento na defesa para 2,8% do PIB em 2026 e prevê um investimento de 3,1% a partir de 2028.    

Na semana passada, terminou o primeiro exercício coordenado pela NATO, em Gotland, que tinha em vista a preparação para um ataque russo. Cerca de 18 mil pessoas de 13 trezes países participaram no exercício. Um funcionário da defesa europeia citado pelo Politico avançou que “a Rússia intensificou o ritmo das suas atividades. Isso pode ser visto como uma manifestação de uma tendência mais ampla, já vimos alertas semelhantes antes, e pode haver mais por vir. Temos de permanecer vigilantes”. 

Além disso, tropas alemãs estão esta semana a executar um exercício de preparação, em conjunto com as forças suecas, na ilha. A prática inclui exercícios via aérea, terrestre e marítima, que simulam um deslocamento das tropas para a ilha em caso de ameaça. 

Alemanha

A Alemanha está também a avaliar as infraestruturas e sistema de saúde do país para perceber a capacidade de resposta, em caso de entrada em lei marcial (regime jurídico excecional em que o controlo do governo civil e a administração da justiça são temporariamente assumidos ou limitados pelas forças armadas). Poucos médicos têm experiência ou conhecimento para tratar feridos de guerra, motivo pelo qual estão a receber cursos especializados para aprender.  

Lituânia

A Lituânia atualizou os planos de evacuação do país, na sequência da escalada do risco de conflito. O objetivo é instruir a população sobre o que fazer em caso de perigo iminente.  

Vários caças da NATO abateram na terça-feira (15) um drone no espaço aéreo da Lituânia, após a deteção da aeronave ter acionado os alarmes. Na quinta-feira (17), o espaço aéreo da Lituânia foi violado por dois aviões de combate russos, levando a força-tarefa da NATO no país báltico a descolar dois caças para a interceção, noticiou a agência ANSA. 

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Reino Unido

A nível militar, o Reino Unido reforçou o financiamento das forças armadas com mais 15 mil milhões de libras (17,49 mil milhões de euros). Dentro do valor total, 5 mil milhões de libras destina-se a drones, 790 milhões para proteção contra ameaças aéreas e 11 mil milhões para armas e munições.  

O governo britânico já incentivou as famílias a assegurarem stocks básicos de bens essenciais, para casos de emergência. Isso inclui alimentos, água, materiais de primeiros socorros, lanternas e meios para receber informações. Este tipo de preparação não se dirige unicamente à ameaça de guerra, mas também a outros tipos de ataque, como cortes de energia e ciberataques.