Onde está o autor do atentado no santuário de Fátima

Onde está o autor do atentado no santuário de Fátima
Raquel Lito 29 de outubro de 2020

Aos 71 anos, o espanhol Fernández Krohn aparenta ser calmo e eloquente. Vive na Bélgica há mais de três décadas e recorda ao El País a fase mais dramática. Em 1982, à época padre (mas à margem do Vaticano), tentou matar João Paulo II na visita a Portugal. Ficou preso durante três anos e meio.


Considera-se um católico sui generis, ultra-conservador que leva uma vida modesta. Na Bélgica há mais de três décadas, Juan Fernández Krohn, espanhol de 71 anos, recorda esta semana ao El País a fase mais dramática que o liga a Portugal: o atentado ao Papa João Paulo II, a 12 de maio de 1982 no Santuário de Fátima. Sobreviveu, não esperava. Não se arrepende do ataque fracassado, mas não repetiria aquilo que define com o eufemismo de "gesto de Fátima". 

Para não ser traído pela memória, intercala o relato com pausas, descreve o jornal espanhol. Passa o dia na biblioteca de Bruxelas (dá a entrevista no pátio da mesma), a ler e a escrever num blogue. De trabalhos, enquanto fonte de rendimento, só consegue precários como mecânico de bicicletas ou numa plantação biológica. Casou-se pelo civil, foi pai e divorciou-se pouco tempo depois. Diz que a maior companheira é a solidão. 

O seu nome volta e meia surge nos jornais por atos impetuosos. Em 2000, por exemplo, furou o cordão de segurança durante uma visita à Bélgica do ex-rei espanhol Juan Carlos (desde 2020 exilado nos Emirados Árabes por escândalos de corrupção). Mas enganou-se, dirigiu-se ao rei belga Alberto II e os seguranças travaram-no. Em 2019, voltou a ser notícia quando "o Conselho de Estado da Bélgica aceitou o seu pedido e permitiu que voltasse a entrar na biblioteca real, à qual o acesso tinha sido proibido ao ser acusado de assédio sexual nas instalações", lê-se no El País

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