O regresso da velha suspeita sobre os GAL: o relatório da CIA que acusa González

O regresso da velha suspeita sobre os GAL: o relatório da CIA que acusa González
Maria Henrique Espada 05 de julho de 2020

Entre 1983 e 1987, o Estado espanhol sujou as mãos com atentados contra a ETA. Era possível o chefe do governo não saber? A CIA veio dizer que sabia – mas não provar

"Não há provas, nem as haverá": a frase é de Felipe González, e tem apenas uma relação indireta aos Grupos Antiterroristas de Libertação (GAL), o braço armado do governo espanhol que nos anos 80 quis combater a ETA por meios igualmente violentos.
O então presidente do governo referia-se ao caso dos Fundos Reservados do Ministério do Interior que o juiz Baltasar Garzón tentava
investigar. Dessa vez, González enganou-se. A "caixa b" ilegal – cinco milhões de euros (em valores de hoje) para financiar atividades antiterroristas (e também para preencher bolsos de políticos) – existia mesmo e o juiz conseguiria as provas que González dizia não existirem: o seu ministro do Interior acabou condenado.
Mas González, mito vivo da história do PSOE e de Espanha, escapou sempre às suspeitas que o ligavam aos GAL. Provou-se o dinheiro
sujo, provaram-se os responsáveis políticos (um ministro e um secretário de Estado condenados), faltava sempre a prova definitiva sobre um ponto: González sabia e autorizou. Faltava, mas ainda falta? "Felipe González concordou com a criação de um grupo de mercenários para combater fora de lei os terroristas": esta fase consta de um relatório da CIA sobre terrorismo, de fevereiro de
1984, agora desclassificado e publicado pelo jornal La Rázon. É, finalmente, a prova? 

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