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Novo mapa mundo pode ajudar Sul Global a "ser visto de modo mais justo"

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A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou uma resoluçã que promove uma representação mais precisa nos mapas das áreas terrestres dos continentes, nomeadamente de África.

O ex-ministro das Finanças santomense Acácio Bonfim afirmou esta quinta-feira esperar que a aprovação, pela ONU, dos novos mapas mundiais, permita ao Sul Global ter mais voz na construção de "uma ordem internacional mais justa".

Mapa mundo. continente africano
Mapa mundo. continente africano DIREITOS RESERVADOS

A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou em 04 de setembro uma resolução, apresentada pelo Togo e apoiada pela União Africana (UA), que promove uma representação mais precisa nos mapas das áreas terrestres dos continentes, nomeadamente de África.

A resolução, intitulada "Corrigir o Mapa", foi aprovada com 164 votos a favor, um contra (Estados Unidos) e seis abstenções: Estónia, Geórgia, Lituânia, Moldávia, Sérvia e Ucrânia.

A votação por "uma maioria esmagadora dos membros das Nações Unidas pode ajudar o Sul Global a ver-se e a ser visto de modo mais justo", declarou em Macau Acácio Elba Bonfim, ex-ministro do Planeamento e Finanças e atual administrador não executivo do Banco Central de São Tomé e Príncipe.

O Sul Global designa o conjunto de países em desenvolvimento ou historicamente marginalizados nas relações internacionais, sobretudo na América Latina, África, Ásia e Oceania. Não é uma divisão puramente geográfica, mas sim socioeconómica e política.

Acácio Elba Bonfim, presente no Fórum de Think Tanks entre a China e os Países de Língua Portuguesa e Espanhola 2026, na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, disse esperar que a nova representação dos mapas do mundo "encontre o eco necessário nos propósitos associados à iniciativa de governança global e à qualidade do futuro partilhado para a humanidade".

Este fórum, em Macau, está focado na Iniciativa de Governança Global, apresentada pela primeira vez em 2025 pelo Presidente chinês, Xi Jinping, com o propósito de promover o desenvolvimento inclusivo, segurança comum e diálogo entre civilizações.

Sobre a correção cartográfica, o ex-ministro disse ainda que, "apesar de simbólica", deve ser "convertida em maior voz nas instituições globais, melhor acesso a recursos e tecnologia, cooperação baseada em benefícios mútuos e uma participação efetiva na construção de uma ordem internacional mais justa e mais equilibrada".

Os defensores da resolução aprovada pela ONU argumentam que a projeção de Mercator, desenvolvida no século XVI pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator e usada até hoje, faz com que a África pareça muito menor do que realmente é, ao mesmo tempo que exagera visualmente as regiões próximas aos polos.

Isso faz com que a Gronelândia e a África pareçam ter tamanhos semelhantes nos mapas, quando na realidade o continente africano é cerca de 14 vezes maior.

A resolução defende o abandono do uso da projeção cartográfica de Mercator e a substituição por uma que mostre com mais precisão o tamanho de continentes, incentivando os Estados-membros, organizações internacionais e outras entidades relevantes a adotarem a projeção Equal Earth, que mostra países e continentes em tamanhos proporcionais.

Antes da votação, o Togo indicou que a persistência destas distorções nos mapas provocou, ao longo do tempo, consequências significativas.

"Contribuiu para minimizar simbolicamente a dimensão de África, assim como de outras regiões, o que criou uma visão desequilibrada da geografia global. Portanto, (...) vai muito para além da esfera da cartografia", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, Robert Dussey.

Caso a modificação seja efetivamente aplicada, França, Estados Unidos e Rússia ficariam consideravelmente menores nos mapas, enquanto África, América Latina e Sul da Ásia ganhariam espaço.

"Esta iniciativa marca um passo histórico para uma representação cartográfica global precisa e equitativa", celebrou a União Africana após a votação, numa publicação feita na rede social Instagram.

Como as resoluções da Assembleia-Geral da ONU não têm força jurídica obrigatória (ao contrário das decisões do Conselho de Segurança), a aplicação depende da vontade política dos Estados-membros e das próprias organizações internacionais.

Os Estados Unidos, único país a votar contra a resolução, criticaram duramente a resolução, considerando que "ridiculariza o trabalho e o propósito" da ONU.