Mamilos e palavrões: como o Facebook decide o que pode publicar?

Quem faz as regras para os 2,3 mil milhões de utilizadores? A cada duas semanas, responsáveis do Facebook encontram-se numa sala onde se discute o que se pode dizer e mostrar nas redes sociais.

São cerca das 9h30 na sede do Facebook, em Menlo Park, na Califórnia, e as coisas estão a aquecer. O assunto em discussão é a nudez, mais especificamente a dos mamilos femininos: a quem deve ser permitido mostrá-los? Devem ser escondidos das crianças? Um funcionário, ao telefone a partir de Dublin, propõe abrir uma exceção à política "sem mamilos" do Facebook para os povos indígenas cujos trajes tradicionais deixem o peito a descoberto. Mas os colegas levantam imediatamente dúvidas, pois isso podia discriminar pessoas não-brancas e questionam a sensatez de ser o Facebook a decidir que nudez conta como "tradicional" e qual é apenas obscena. Por uns momentos, toda a gente fala ao mesmo tempo.

É nesta sala de reuniões que o Facebook decide o que 2,3 mil milhões de pessoas em todo o mundo podem e não podem dizer nas suas páginas. A cada duas semanas, representantes das equipas de política, investigação, design de software e moderação de conteúdos encontram-se para apreciarem propostas de alterações à volumosa lista de regras de linguagem. As alterações são depois passadas ao pequeno exército de moderadores de conteúdos do Facebook - eram 15.000, à última contagem, trabalhando em mais de 40 línguas - e impostas aos utilizadores.

Até há pouco tempo, só raramente o Facebook deixou que estranhos assistissem a este processo de decisão. Agora, o jornal The Telegraph foi autorizado a estar presente em duas reuniões, em fevereiro e em abril.

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