El País fala num aumento no período de oito anos. Entre eles estão casos num colégio para crianças surdas, um colégio de maristas e de um compositor de canções religiosas.
Uma investigação do jornal espanhol El País, iniciada em 2018 e publicada esta segunda-feira, contabiliza mais de 3 mil vítimas de abusos sexuais por parte de membros da Igreja Católica. Quando a investigação começou, há quase oito anos, eram conhecidos apenas 34 casos.
Abusos sexuais da Igreja CatólicaAP
O número de padres e religiosos acusados durante esse período aumenta para 1.613, representando 1,46% dos mais de 110 mil padres que existem em Espanha desde 1940, segundo as estatísticas da Igreja citadas pela publicação.
Um dos casos mais graves que veio a público é o do colégio de surdos La Puríssima, em Madrid, em que as vítimas eram crianças vulneráveis. Em 2021 a publicação já tinha recolhido o primeiro relato, o testemunho de um antigo aluno visando um sacerdote, mas agora surgiu uma nova acusação por parte de um antigo professor do colégio, Gonzalo de Ena, de 82 anos. “Não o denunciei na altura, não soube reagir, não tinha essa consciência, eram outros tempos e não se falava desses temas”, relata.
Ao jornal recorda a sua chegada ao colégio, entre 1978 e 1979, e o momento em que percebeu que algo estava errado. “Era o capelão, o homem todo poderoso da congregação de freiras, tinha um chalé na serra de Madrid onde abusava das crianças quando as levava para sua casa para fazer exercícios espirituais”, garante. As vítimas tinham entre 10 e 14 anos.
Outro caso destacado é o do carmelita descalço José Luis Zurita Abril, que já tinha sido acusado por duas outras pessoas no colégio Virgen del Carmen de Córdoba entre 1971 e 1973. Um novo testemunho sob anonimato menciona abusos em Cádis, para onde o sacerdote foi transferido depois de ter estado em Córdoba.
“Um dia chamou-me, juntamente com um amigo meu, ao convento durante a sesta. Silenciosamente levou-nos à cripta da Igreja onde os frades estão sepultados. Pensei que íamos limpar ou vestir os santos, mas ele despiu-se e começou a beijar o meu amigo. O padre pegou na minha mão para que eu o masturbasse mas afastei-o”, relata o homem de 51 anos. Segundo recorda, começou a chorar e foi então que o padre ficou com medo, mandando-os embora.
A vítima descreve também outros abusos durante viagens a um santuário em Granada, em Córdoba, e a Guadalupe, na Extremadura, e afirma que nunca contou nada à família. “Não me atrevi, além disso assim que ficámos um pouco mais velhos, sabíamos que tinha perdido interesse em nós, ficámos livres por volta dos 16 anos”, recorda. Mais tarde, José Luis Zurita Abril foi transferido para Málaga.
Nos colégios maristas em Espanha foram descobertos ainda dois casos, um deles referente ao compositor de canções religiosas Cesáreo Gabaráin, que era também capelão nas escolas, e o outro ao marista Marino González. Este último foi transferido de escola em escola em Espanha durante seis décadas.
Novos relatos corroboram que em 2011 ainda levava menores para uma casa na sua cidade natal, Albillos, sob pretexto de os preparar para a admissão à faculdade. Contactado pela publicação, os colégios maristas relatam sete vítimas, contudo, segundo os registos do El País, o número ronda os 17. Cesáreo Gabaráin acumula 17 acusações desde a sua primeira designação como capelão numa escola em Antzuola no País Basco à sua expulsão da escola de Chamberí em Madrid.
A investigação inclui também casos de sacerdotes e padres que foram transferidos para outros países, com acusações de abusos sexuais. É o caso de um padre de Cantábria, em Santander, que foi acusado em Cuba entre 1996 e 1998 e que se manteve ativo até ao ano passado. Não foi afastado por abusos, mas pela sua idade idosa.
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