Lindsay Foreman, de 53 anos, e o marido Craig, de 52, foram condenados a 10 anos de prisão por suspeitas de espionagem.
Quando Lindsay Foreman, de 53 anos, e o marido Craig, de 52, entraram no Irão em janeiro de 2025, não conseguiam imaginar como as sua vidas podiam mudar em tão pouco tempo. O casal inglês, natural de East Sussex, estava numa viagem de mota à volta do mundo e pretendia ficar apenas alguns dias no país. Mas foram ambos presos, por suspeita de espionagem.
Lindsay e Craig ForemanInstagram/Joe Bennett
Fechados há mais de um ano nos calabouços iranianos, Craig e Lindsay deram agora uma entrevista por telefone à BBC, em separado, onde reconheceram que as perguntas que fizeram à população ao longo do caminho - se tinham uma "boa vida" -, pode ter-lhes causado problemas junto das autoridades iranianas. Sabiam de antemão que era não aconselhável viajar para o país.
"Eu e o Craig tínhamos avaliado o risco e não imaginávamos que turistas inocentes acabariam na prisão por tanto tempo e sem provas", admite Lindsay. "Assumo a responsabilidade pela escolha que fiz de vir para cá e terei que viver com as consequências."
Condenados a uma sentença de 10 anos de prisão, estão detidos em celas diferentes na mesma prisão. Depois de meses de silêncio, o filho de Lindsay, Joe Bennett, que se desfaz em contactos internacionais no sentido de conseguir a libertação do casal, recebe agora telefonemas regulares da mãe e do padrasto através de telefones públicos da prisão de de Evin, via Ministério das Relações Exteriores.
"Estou a lidar com a constatação de que provavelmente ficaremos aqui por muito tempo", refere Lindsey. E Craig concorda. "Sinto que estamos a desperdiçar as nossas vidas aqui dentro, estamos a apodrecer. Somos pessoas inocentes. Não cometemos nenhum crime", atira, pedindo que o governo britânico "tome uma atitude". "Falem. Tirem-nos daqui. Parece que estamos aqui sentados como alvos fáceis!"
Desde que começou a guerra o casal deixou de receber visitas consulares, uma vez que os serviços da embaixada britânica no país encerraram, e o dia a dia tem sido difícil. Craig está detido com outros estrangeiros – um equatoriano, um alemão e um romeno – mas Lindsay está mais isolada. Não há ninguém na sua cela que fale inglês e o desespero por vezes toma conta dela. "Há pessoas que estão aqui há anos, isso é tão injusto", conta à BBC, em lágrimas.
Lindsay passou os primeiros 57 dias de detenção numa solitária na cidade de Kerman, enquanto que o marido era interrogado com os olhos vendados, uma situação que Craig reconhece que foi "horrível".
Em julho do ano passado foram transportados para Teerão, para a prisão de Evin, onde ainda estão hoje. As condições são difíceis. "Não é muito higiénico e não há assistência médica", explica Craig. "Há muitas brigas entre os detidos. É preciso tentar ficar longe dessas discussões porque há armas improvisadas e outras coisas."
Uma das companheiras de cela de Lindsay foi condenada à morte, na sequência dos protestos de janeiro, que o regime reprimiu com força letal, matando milhares de pessoas. "É assustador. Quando olho para a minha situação, penso: 'Graças a Deus que não cresci aqui'. Para nós, isto em algum momento vai acabar. Mas para algumas destas pessoas, não..."
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