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Ucranianos dizem que "não há nada para celebrar" no Dia da Europa

CM 09 de maio de 2026 às 20:57

“Recordamos os mortos que lutaram na II Guerra Mundial e mais nada”, diz o secretário de Estado para os Veteranos. Ucranianos recordam os que morreram nos ataques russos.

"Celebrar o quê? Não há nada para celebrar aqui”, desabafa ao CM Alexander, morador em Kiev, a propósito do Dia da Europa. Alexander puxou-nos pelo braço para vermos o memorial das famílias que morreram aqui devido a um ataque russo. Foram mais de 30, entre elas um bebé de colo. “Um dos corpos ficou numa árvore. Foi horrível”, conta. A descrição nunca é tão terrível como a realidade de quem passou por essa noite de terror. “Esta era a minha madrinha. Uma pessoa incrível”, diz uma outra moradora, com lágrimas nos olhos. Não falam inglês, mas fazem questão de nos explicar a dor que a guerra causa.

Memorial aos ucranianos que tombaram em combate a defender o país contra a invasão russa Sergey Dolzhenko/EPA

Por estes dias celebrou-se o dia em que os aliados venceram a II Grande Guerra. Putin e Zelensky trocaram ameaças, mas acabaram por acertar uma trégua de três dias. Para as pessoas, isso pouco ou nada diz. “Putin é o diabo. Hitler é uma criança pequena ao pé dele”, desabafa Serhii Uzlov, já no centro de Kiev. Fugiu das zonas ocupadas pelos russos. Perdeu tudo. “Não tenho casa. Vim para Kiev com a roupa que tenho no corpo”, afirma. Agora faz visitas aos poucos turistas que por aqui andam. Mas há. Conhecemos Miguel, um português que vive em Londres e que fez mais de dez horas de comboio para visitar Kiev. “Tenho amigos ucranianos no Reino Unido e quis vir ver a cidade. Há medo, mas dá para visitar”, explica ao lado de um dos veículos russos tomados pela Ucrânia, parcialmente destruído. É uma exposição a céu aberto. Carros blindados, tanques e até a carcaça de um drone russo estão expostos numa praça da cidade. Pode-se entrar e ver as imagens do antes e depois. Quatro anos de guerra, meio milhão de mortos ou talvez mais, não tornam a impotência das sirenes menor. Num dia tocaram duas vezes em Kiev.

Num gabinete do Governo, o secretário de Estado para os Veteranos recebe-nos e mostra-nos várias “recordações” da guerra. “Isto aqui é um pedaço de um drone russo destruído por um drone ucraniano”, descreve, enquanto aponta para uma chapa de metal fechada numa caixa de madeira com vidro à frente. É apenas um exemplo. Também há medalhas, munições e bandeiras. “Hoje não há nada para celebrar”, sublinha quando se fala do Dia da Europa. “Recordamos os mortos que lutaram na II Guerra Mundial e mais nada”, remata o governante.

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