Ucrânia: Zelensky acusa Rússia de lançar milhares de drones e bombas numa semana
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e tem sido alvo de sanções dos aliados ocidentais de Kiev, que atingiram o setor do petróleo e do gás, para tentar diminuir a capacidade de financiar o esforço de guerra.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou este domingo a Rússia de ter atacado a Ucrânia com 1.770 drones, mais de 1.530 bombas guiadas e 86 mísseis nos últimos sete dias.
O arsenal incluiu mais de 20 mísseis balísticos, segundo Zelensky, que divulgou os números numa mensagem acompanhada por imagens da destruição causada pelos bombardeamentos russos.
Cada um destes equipamentos "contém pelo menos 60 componentes estrangeiros, que são fornecidos à Rússia em violação das sanções", afirmou, retomando uma crítica que tem feito a parceiros da Ucrânia.
"Os esquemas que tornam possíveis essas entregas são conhecidos e devem ser eliminados", referiu, citado pela agência espanhola EFE.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e tem sido alvo de sanções dos aliados ocidentais de Kiev, que atingiram o setor do petróleo e do gás, para tentar diminuir a capacidade de financiar o esforço de guerra.
Os Estados Unidos levantaram temporariamente na semana passada o embargo ao comércio de petróleo russo, o que suscitou duras críticas da Ucrânia e da União Europeia.
Nos mais de quatro anos de guerra com a Rússia, a Ucrânia desenvolveu a indústria de defesa e Zelensky defendeu no sábado, em declarações com embargo até hoje, o reforço do controlo do Estado sobre a venda de drones ao estrangeiro.
Desde o início da guerra em curso no Médio Oriente, a Ucrânia afirmou ter enviado especialistas em drones para vários países do Golfo para os ajudar a repelir os drones de conceção iraniana Shahed.
Zelensky queixou-se de que países estrangeiros tentam comprar drones às empresas ucranianas, "sem passar pelo Governo".
"Infelizmente, alguns representantes de governos ou de empresas desejam contornar o Estado ucraniano para comprar equipamentos específicos. É o que está a acontecer atualmente", prosseguiu, sem nomear os países envolvidos.
O Presidente ucraniano ameaçou as empresas que não se submetam ao controlo governamental com "medidas desagradáveis" e disse ter pedido ao Governo que encontre "soluções sistémicas" para o problema.
"Comuniquei isto ao nosso Ministério da Defesa e enviei sinais nesse sentido" ao setor privado, afirmou, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
Zelensky considerou que a "produção de drones modernos e a experiência ucraniana na matéria" poderão constituir um setor tão lucrativo como o petróleo.
Confrontado há anos com ataques russos que envolvem centenas de drones, o exército ucraniano adquiriu uma experiência valiosa na luta contra os aparelhos de baixo custo e produzidos massivamente.
A Ucrânia desenvolveu, nomeadamente, capacidades de bloqueio e drones intercetores, conhecimentos que propôs partilhar com os parceiros.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, declinou a ajuda ucraniana, declarando recentemente ao canal Fox News que não precisava dela.
O Irão desvalorizou a iniciativa ucraniana em relação aos países do Golfo, mas avisou Kiev de que tinha entrado "numa fase de confrontação direta" com Teerão, pelo que a Ucrânia se tinha tornado "um alvo legítimo".
Zelensky respondeu à ameaça e negou que a Ucrânia tenha entrado em conflito com o Irão.
Explicou que os técnicos ucranianos apenas partilharam "uma análise clara e completa" sobre como lidar com os drones iranianos, sem qualquer envolvimento em operações.
"As três equipas que se deslocaram [ao Médio Oriente] têm capacidade para realizar uma análise e demonstrar como [a defesa aérea] deve funcionar", afirmou, citado pela agência espanhola EFE.
"Não se trata de estar presente num determinado local durante as operações", acrescentou.