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Rutura dos carris pode ter causado o descarrilamento: o que se sabe sobre o acidente em Espanha

Gabriela Ângelo 20 de janeiro de 2026 às 10:25

O acidente fez 41 mortos e centenas de pessoas ficaram feridas, 39 continuam hospitalizadas, das quais 13 estão nos cuidados intensivos.

O descarrilamento e consequente colisão entre dois comboios de alta velocidade em Córdova, na Espanha, ao final da tarde de domingo já fez 41 mortos. Durante a madrugada desta terça-feira, as equipas de resgate encontraram mais um corpo num dos vagões destruídos, aumentando o número de mortos de 40 para 41, afirmou a agência de notícias espanhola EFE. Centenas de pessoas ficaram feridas, 39 continuam hospitalizadas, das quais 13 estão nos cuidados intensivos. 
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Descarrilamento de comboio em Espanha pode ter sido causado por rutura nos carris
Foto: AP
Comboio RENFE danificado após descarrilamento em Espanha
Foto: AP

O que causou a colisão entre os comboios?

Três carruagens do comboio de alta velocidade da empresa Iryo descarrilaram às 19h45 (hora local, 18h45 em Portugal Continental), enquanto circulava a 205 quilómetros por hora num troço reto da linha férrea que tem como limite a velocidade máxima 250 quilómetros por hora. O primeiro vagão a descarrilar foi o número 6.  Este comboio, com o número 6189, tinha partido de Málaga em direção a Madrid com 300 passageiros a bordo. da primeira carruagem ter descarrilado, invadiu a faixa do lado e provocou a colisão com o comboio da empresa Alvia, que ia de Madrid para Huelva. Dois vagões do Alvia sofreram o impacto mais forte, tendo sido projetados e 53 pessoas, das 186 que lá iam, ficaram feridas com gravidade. 
Guarda Civil investiga possível causa de descarrilamento em Espanha EPA/GUARDIA CIVIL

O que se sabe sobre as causas do descarrilamento do comboio Irya?

Segundo o jornal espanhol , que cita o Ministério dos Transportes, as investigações preliminares apontam para uma rutura nos carris, embora não tenha sido possível determinar se foi essa a causa do descarrilamento do comboio. Foi descartada a possibilidade de ter sido um ato de sabotagem. A empresa ferroviária Irya já afirmou ontem que o comboio tinha passado pela última revisão há quatro dias.  Ao canal de televisão estatal RTVE o presidente da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF), Ignacio Barrón, explicou que “o que causa um descarrilamento é a interação entre os carris e o comboio”, afastado assim as possibilidades de erro humano, problemas operacionais, falhas de sinalização ou elétricas. O El País nota ainda que a comissão poderá demorar meses a publicar o relatório final sobre as causas técnicas, dando o exemplo do acidente de 2013 em Angrois, no qual morreram 80 pessoas, cujo relatório foi publicado dez meses depois. Ainda, o Ministro dos Transportes, Óscar Puente, negou qualquer ligação entre o acidente e a falta de investimento na rede ferroviária, salientando que o troço onde aconteceu o descarrilamento tinha sido renovado em maio do último ano. 

Porque é que nenhum outro comboio descarrilou durante o dia?

O jornal espanhol avança que a rutura dos carris, que está a ser investigada pela Guarda Civil, é compatível com a deterioração do material e pode significar que a carga que o componente é capaz de suportar aumentou nos últimos tempos, dado ao maior volume de comboios que circulam por aquela zona. Fontes próximas da investigação revelaram à publicação que o bogie do comboio Iryo- o componente mecânico na parte inferior de cada vagão que permite o seu movimento sobre os carris - pode ter ficado preso numa chave que funcionava como alavanca no ponto exato onde as três carruagens descarrilaram. Isto explica o porquê de nenhum outro comboio que passou por aquele ponto durante o dia ter descarrilado. 

Houve portugueses envolvidos no acidente?

Uma notícia da agência de notícias Lusa publicada esta manhã dava conta de que os  que estiveram envolvidos no acidente estavam bem, segundo declarações do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Um deles foi levado para o hospital Reina Sofía de Córdoba mas entretanto teve alta; a outra portuguesa encontra-se “bem e em casa”.

Foi decretado luto nacional na Espanha?

Ontem à tarde o primeiro-ministro espanhol, , prestou declarações pela primeira vez desde o acidente, decretando três dias de luto nacional, com início à meia-noite desta segunda-feira, terminando à meia-noite de quinta. O líder do governo afirmou ainda que a verdade sobre as causas do acidente iria ser conhecida “com transparência absoluta e claridade”. 
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