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Presidente das Honduras pede recontagem das eleições face a ingerência de Trump

Lusa 11 de janeiro de 2026 às 09:00

Na sexta-feira, um pequeno grupo de membros eleitos e suplentes do partido no poder, o Liberdade e Refundação (Libre, esquerda), numa sessão extraordinária do parlamento, aprovou a recontagem de todos os votos.

A Presidente das Honduras, Xiomara Castro, solicitou ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que inicie imediatamente a recontagem dos votos das eleições gerais de 30 de novembro, embora o órgão eleitoral já tenha declarado os vencedores.
Presidente das Honduras pede recontagem dos votos após alegações de interferência de Trump AP
"Instruímos o Congresso Nacional [o parlamento hondurenho] a enviar uma carta ao Conselho com uma cópia do Diário Oficial para que iniciem a recontagem de imediato", disse o presidente do Conselho de Ministros. "Caso contrário, o próprio Congresso Nacional realizará a recontagem, conforme estabelecido" na Constituição, declarou à imprensa Luis Redondo, após uma reunião do Conselho de Ministros, no sábado. "Estamos a exigir, numa medida histórica, que o Congresso Nacional da República reconte todos os votos (...) e que, independentemente de quem seja o vencedor, o resultado seja respeitado", explicou Redondo. "O voto de todo o povo hondurenho deve ser respeitado", acrescentou. Na sexta-feira, um pequeno grupo de membros eleitos e suplentes do partido no poder, o Liberdade e Refundação (Libre, esquerda), numa sessão extraordinária do parlamento, aprovou a recontagem de todos os votos. Mais de 70 deputados da oposição denunciaram ter sido impedidos de entrar na sessão legislativa. A iniciativa foi ratificada por Xiomara Castro e publicada no Diário Oficial, algo que os juristas, a oposição e os analistas consideram inconstitucional. Isto porque o CNE já tinha declarado Nasry Asfura, do conservador Partido Nacional, e candidato com o apoio de Donald Trump, vencedor das eleições presidenciais de 30 de novembro. Asfura, conforme estipulado por lei, deverá assumir o cargo a 27 de janeiro, quando terminar o mandato de Xiomara Castro. A atual Presidente declarou a 18 de dezembro que aceitaria os resultados do CNE. Uma semana depois, na mensagem de Natal ao país, Castro declarou que não ficaria no poder "nem um dia a mais, nem um dia a menos" dos quatro anos de mandato. A Presidente convocou o Conselho de Ministros no sábado depois de ter enviado uma mensagem a Donald Trump a pedir "um diálogo direto e franco sobre o processo eleitoral" e após ter acusado o líder dos EUA de ingerência nas eleições. As "declarações públicas" de Trump a favor de Asfura "influenciaram negativamente o desenvolvimento do processo democrático e afectaram o nosso candidato", lamentou Castro, numa mensagem nas redes sociais. Em 25 de dezembro, a candidata presidencial do partido no poder nas Honduras, Rixi Moncada, acusou o CNE de “assassinar a democracia” e sucumbir perante “a fraude e a imposição estrangeira” depois de declarar vencedor Nasry Asfura. O escrutínio foi marcado por denúncias de fraude desde antes das votações, ameaças contra as duas conselheiras eleitorais junto do CNE pelos partidos considerados vencedores, e a alegada ingerência de Donald Trump, a favor de Asfura.
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