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Parlamento português condena atuação do MNE húngaro por passar informação da UE ao Kremlin

Lusa 21 de abril de 2026 às 17:46

Notícias divulgadas pela imprensa húngara indicaram que o ministro Péter Szijjártó teria transmitido a Serguei Lavrov "informação sensível, reservada e que nunca devia ter chegado a um governo que promove uma agressão contra a Ucrânia".

O parlamento português condenou esta terça-feira por unanimidade a atuação do ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, que transmitia informações confidenciais da União Europeia ao homólogo russo.

Ministro dos Negócios Estranegiros da Hungria, Peter Szijjarto Foto AP/Virginia Mayo

A comissão de Negócios Estrangeiros e das Comunidades Portuguesas aprovou dois votos de condenação, do Livre e do deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, que serão transformados num voto da comissão.

O voto pretende "censurar o facto de o Governo húngaro ter sido um veículo de ingerência nos assuntos que dizem respeito aos Estados europeus ou dos seus interesses", disse o deputado bloquista.

Notícias divulgadas pela imprensa húngara indicaram que o ministro Péter Szijjártó teria transmitido a Serguei Lavrov "informação sensível, reservada e que nunca devia ter chegado a um governo que promove uma agressão contra a Ucrânia", comentou.

Além disso, o governo de Viktor Orbán, que perdeu as eleições de 12 de abril para o conservador Péter Magyar, servia "de força de bloqueio" e procurava "retirar oligarcas russos da lista de sanções da UE", acrescentou.

Pelo Livre, Rui Tavares afirmou que o Fidesz, partido de Orbán, é "um nacionalista do Kremlin, não de Budapeste".

A atuação do ministro foi, na opinião de Tavares, uma "violação clara do artigo 4.º da UE" - sobre "cooperação leal" entre os Estados-membros -, e foi " altamente lesiva para os interesses da UE e do próprio povo húngaro".

Este voto, sublinhou, "não olha só para o passado, mas procura que a UE corrija o que há para corrigir e que isto não volte a acontecer".

Paulo Neves, do PSD, considerou que Szijjártó teve "uma conduta absolutamente inaceitável" e "pior era impossível".

O social-democrata defendeu que este caso "é um aviso à navegação" e que devem ser apuradas as responsabilidades.

O deputado Diogo Pacheco Amorim disse que o Chega acompanha as iniciativas e, respondendo a Rui Tavares, afirmou que o partido é "nacionalista de Portugal e defende os interesses de Portugal e dos portugueses".

Elza Pais, do PS, também condenou as "ações inaceitáveis" do governante húngaro, que "põem em causa princípios fundamentais".

O deputado da Iniciativa Liberal Rodrigo Saraiva disse que o ministro "passava informação das reuniões europeias para Moscovo, mas também recebia recados e missões de Moscovo para as executar no seio da UE", no que descreveu como "uma espécie de 'leva e traz'".

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