Secções
Entrar

Palestinianos autorizados a entrar em Gaza após reabertura de Rafah

Lusa 03 de fevereiro de 2026 às 10:17

A passagem estava fechada desde que as tropas israelitas assumiram o controlo em maio de 2024

Israel permitiu o regresso à Faixa de Gaza de cerca de uma dúzia de palestinianos vindos do Egito, após a reabertura parcial da passagem fronteiriça de Rafah.
Palestinianos regressam à Faixa de Gaza AP
A passagem estava fechada desde que as tropas israelitas assumiram o controlo em maio de 2024, mas a reabertura, na noite de segunda-feira, foi sobretudo simbólica, com poucas pessoas autorizadas a viajar e nenhuma mercadoria autorizada a passar. Inicialmente, o número de pessoas autorizadas a sair da Faixa de Gaza por Rafah está limitado a apenas 50 doentes e feridos, cada um deles acompanhados por duas pessoas, enquanto 50 palestinianos podem regressar, indicaram as autoridades israelitas e egípcias. Mas na segunda-feira as travessias ficaram muito aquém das 50 pessoas que as autoridades israelitas tinham dito que seriam autorizadas a deslocar-se em cada sentido. Pouco antes da meia-noite (22:00 em Lisboa), um autocarro chegou à Faixa de Gaza trazendo palestinianos que tinham fugido dos combates no início da guerra.
Quando o veículo entrou no complexo de um hospital em Khan Younis, uma menina com ganchos no cabelo e uma mulher mais velha estavam logo à entrada, acenando aos familiares ansiosos pelo seu regresso. No sentido contrário, três ambulâncias com doentes e feridos provenientes da Faixa de Gaza chegaram na segunda-feira ao Egito, disseram fontes das autoridades egípcias e a televisão Al-Qahera News.
Rafah é a única fronteira da Faixa de Gaza que não comunica com o território israelita e, antes da guerra, desencadeada em outubro de 2023, era a principal passagem para as pessoas que entravam e saíam do território. Mais de 30 mil palestinianos estão registados no Cairo para regressar e juntar-se às famílias, de acordo com uma fonte diplomática citada pela agência de notícias Associated Press. A reabertura da fronteira deverá permitir também a entrada, em data ainda a definir, dos 15 membros do Comité Nacional para a Administração de Gaza, encarregados de gerir o território durante um período de transição sob a autoridade do "Conselho da Paz", por sua vez presidido por Donald Trump. A reabertura de Rafah acontece no âmbito do cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas, em vigor desde 10 de outubro, apesar de sucessivas acusações mútuas de violação do acordo. Dirigentes de um hospital em Gaza disseram que um navio da marinha israelita disparou na segunda-feira contra um acampamento de refugiados, matando um rapaz de 3 anos. Os militares israelitas disseram estar a investigar o incidente. A primeira fase do cessar-fogo incluiu a troca de reféns (20 vivos e 28 mortos e todos já repatriados) por prisioneiros palestinianos, a retirada parcial das forças israelitas da Faixa de Gaza e a entrada de ajuda humanitária no território. As próximas etapas preveem um governo de transição tecnocrático, já constituído, o desarmamento do Hamas, a criação de uma força militar internacional e a reconstrução do enclave. A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1.200 pessoas e 251 foram feitas reféns. Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala no enclave palestiniano, que provocou mais de 71 mil mortos, segundo as autoridades locais, um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.
Artigos recomendados
As mais lidas