Montanhas, aeroportos e lagos: tudo o que Trump já tentou batizar com o seu nome
Do Golfo do México ao Novo México, passando por montanhas, aeroportos e instituições, o presidente dos Estados Unidos tem feito dos nomes uma batalha política.
Já não é a primeira vez que o presidente dos Estados Unidos tenta mudar o nome de instituições, estações de transporte, lagos ou até mesmo de montanhas. Começou com o Instituto da Paz dos Estados Unidos, que passou a chamar-se "Instituto da Paz Donald J. Trump". Agora, o republicano sugere que o estado do Novo México seja denominado de "Nova América". Entre propostas, ordens executivas e tentativas que geram polémica, estas são algumas das mudanças que Trump procurou impor desde que regressou à Casa Branca.
Instituto da Paz dos Estados Unidos (fevereiro de 2025)
Uma das primeiras iniciativas de renomeação por parte de Donald Trump surgiu ainda em 2025 e teve como alvo o Instituto da Paz dos Estados Unidos, criado pelo Congresso como uma entidade independente para ajudar a resolver conflitos internacionais violentos. O Departamento de Estado passou a designá-lo de Instituto da Paz Donald J. Trump e o novo nome foi até colocado na fachada do edifício.
Na altura, a justificação oficial apresentada refletia o compromisso do presidente com a paz mundial. A legalidade da mudança foi, no entanto, contestada.
Kennedy Center (2025)
Em 2025, já depois de ter regressado à Casa Branca, Trump promoveu uma profunda transformação no John F. Kennedy Center for the Performing Art - uma das mais importantes instituições culturais dos Estados Unidos. Entre as mudanças esteve a decisão de acrescentar "Donald J. Trump" ao nome do edifício, designação que passou a aparecer na fachada.
Em maio de 2026, o juiz federal Christopher Cooper determinou, no entanto, que o nome de Trump fosse retirado e concluiu que apenas o Congresso teria competência para aprovar esse tipo de alterações.
Perante a discordância, o Kennedy Center e o seu conselho de administração decidiram apresentar um recurso. Não conseguiram, porém, reverter a decisão e a ordem judicial acabou mesmo por ser cumprida em junho deste ano, quando trabalhadores foram vistos a retirar o nome do presidente da fachada.
Golfo do México (janeiro de 2025)
Logo no primeiro dia de regresso à Casa Branca, o presidente norte-americano assinou a ordem executiva 14172, que alterou o nome do Golfo do México para "Golfo da América". Nessa ordem, Donald Trump apresentou a mudança como uma questão de orgulho nacional.
Esta distinção desencadeou, no entanto, uma disputa diplomática e cultural. A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, contestou a medida e respondeu ironicamente que talvez o México pudesse começar a chamar a América do Norte de "América Mexicana".
Dias depois, soube-se que a Google iria atualizar o Google Maps com esta mudança.
Montanha Denali (janeiro de 2026)
Em janeiro de 2025, o presidente norte-americano decidiu também mexer no nome da montanha mais alta da América do Norte. Assim, uma das primeiras ordens executivas do seu segundo mandato determinou a substituição de Denali e o regresso do nome Mount McKinley.
A decisão veio a reverter a mudança feita em 2015 pelo então presidente Barack Obama, que na altura recuperou o tradicional nome Denali, da língua Koyukon Athabascana, que significa "alto" ou "grande". Esse nome era utilizado pelos povos indígenas do Alasca muito antes de a montanha ter recebido a designação Mount McKinley, em 1896, em homenagem ao então candidato presidencial William McKinley, que nunca chegou sequer a visitar o Alasca.
Agora, Trump justificou o regresso de Mount McKinley como uma forma de recuperar um nome associado à história e à "grandeza americana". Em fevereiro de 2025, o Departamento do Interior deu, então, execução à ordem e determinou a alteração do nome no sistema.
Apesar de o nome da montanha ter sido alterado, o parque nacional que a rodeia continua a chamar-se Denali National Park and Preserve.
Aeroporto Internacional Washington Dulles (julho de 2026)
Em julho deste ano, Trump adicionou um aeroporto na Virgínia à sua lista de alvos. O Aeroporto Internacional Washington Dulles passou a chamar-se "President Donald J. Trump International Airport" a partir de 9 de julho.
A ideia surgiu no Congresso, quando em janeiro de 2025 o deputado republicano Addison McDowel apresentou um projeto de lei para que o nome do aeroporto fosse alterado. Uma proposta semelhante já tinha sido anunciada também no Congresso, em março de 2024, ainda antes de Trump ter regressado à Casa Branca, mas o projeto acabou por não avançar.
A escolha do nome para este aeroporto também tem uma particularidade histórica. O aeroporto tinha sido batizado de Dulles em homenagem a John Foster Dulles, secretário de Estado durante a presidência de Dwight Eisenhower. Só em 1984 é que o Congresso decidiu acrescentar "Washington" ao nome para deixar mais claro aos passageiros que o aeroporto servia a capital americana.
Aeroporto Internacional de Palm Beach (julho de 2026)
A 9 de julho de 2026, o antigo Aeroporto Internacional de Palm Beach, na Florida, passou também a chamar-se oficialmente de Aeroporto Internacional Presidente Donald J. Trump. A alteração foi aprovada e assinada pelo governador Ron DeSantis, em março deste ano.
Este aeroporto tem uma particularidade que torna a homenagem ainda mais evidente: fica a poucos quilómetros de Mar-a-Lago, onde Donald Trump tem a sua residência.
Estação de metro Penn Station (julho de 2026)
Em julho de 2026, o governo norte-americano defendeu a mudança de nome de uma das mais famosas estações de metro de Nova Iorque e cidade natal do presidente: a Penn Station. A administração Trump pressionou para que a estação recebesse o nome de Trump Station.
O secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, numa carta onde procurava a aprovação do Congresso, não chegou, contudo, a dizer qual seria o novo nome da estação. Por enquanto, continua a chamar-se Penn Station.
Lago Ontário (agosto de 2026)
Donald Trump voltou a olhar para o mapa da América do Norte a 27 de agosto de 2026, desta vez para mudar o nome de um dos grandes lagos. Nessa data assinou um decreto para alterar "de forma imediata" o nome do Lago Ontario para "Lago América". A ordem afirmava que o lago é um importante recurso económico e estratégico para os Estados Unidos e destacava o investimento americano na proteção de grandes lagos.
Há, no entanto, um problema. O Lago Ontário não pertence apenas aos EUA. É partilhado com o Canadá e cerca de 52% da sua área encontra-se até em território canadiano. Além disso, "Ontário" é um nome indígena de origem Wendat.
A reação canadiana foi rápida. "É completamente absurdo", lamentou Doug Ford, primeiro-ministro da província canadiana de Ontário, ao canal ABC. "Ninguém vai chamá-lo de Lago da América", acrescentou.
Estreito de Ormuz (setembro de 2026)
Uma das mais extravagantes ideias de Trump para redesenhar o mapa surgiu a 2 de setembro, quando o presidente norte-americano sugeriu que o Estreito de Ormuz se passasse a chamar de "Estreito de Trump". A proposta foi apresentada numa publicação do republicano nas redes sociais, num momento de forte tensão entre os Estados Unidos e o Irão.
Desta vez, Trump apresentou uma justificação ainda mais ambiciosa. Disse que o estreito estava sob controlo dos Estados Unidos e, por isso, deveria receber o seu nome.
No caso de Ormuz, Trump não assinou nenhuma ordem para mudar o nome. Limitou-se a lançar a ideia nas redes sociais. Poucas horas depois, deu até a entender que talvez não estivesse a falar a sério, escreveu a agência de notícias Associated Press.
Novo México (setembro de 2026)
Esta é a mais recente proposta de Trump para redesenhar a geografia americana. No domingo, 6 de setembro, o presidente publicou na sua rede social Truth Social um mapa em que a palavra "México" surgia riscada e substituída por "América". A publicação foi posteriormente partilhada pela página oficial da Casa Branca.
Segundo Trump, a "Nova América" seria uma designação "mais prestigiosa e bonita". No entanto, tal como aconteceu com a proposta relativa ao Estreito de Ormuz, não foi emitida qualquer ordem executiva para formalizar a alteração.
Também esta proposta provocou uma reação imediata no Novo México. A governadora Michelle Lujan Grisham afirmou que o estado "não está em debate" e lembrou que o Novo México tem esse nome desde antes da criação dos EUA.
Bandeira dos Estados Unidos (setembro de 2026
Donald Trump partilhou na segunda-feira um mapa na Truth Social, no qual as listas vermelhas e brancas da bandeira norte-americana cobrem o México, as Caraíbas e o Canadá, bem como a Gronelândia e a Islândia. A imagem surgiu horas depois de ter sugerido na mesma plataforma que o estado norte-americano do Novo México deveria ser renomeado para "Nova América".