Migrações: UE nega deslocações de pessoas de Ceuta para a Europa continental
Segundo o Governo espanhol, 25.000 pessoas que entraram ilegalmente na cidade na quinta-feira e na madrugada desta sexta-feira já voltaram a Marrocos por iniciativa própria ao longo da manhã, estando a sair "a um ritmo de 150 pessoas por minuto".
O comissário europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, negou esta sexta-feira que estejam a ocorrer deslocações de pessoas de Ceuta para o continente europeu, classificando, contudo, a situação na cidade autónoma espanhola como "inaceitável".
"A situação em Ceuta é inaceitável. Continuo em estreito contacto com as autoridades espanholas. Reitero que não estão a verificar-se deslocações para o continente europeu nem para outros Estados-membros", escreveu Brunner nas redes sociais, recordando que o Código das Fronteiras Schengen "estabelece regras específicas" para as cidades autónomas espanholas.
O comissário saudou ainda a "estreita cooperação entre Espanha e Marrocos na gestão da situação e na garantia de retornos rápidos", lembrando que Marrocos integra a lista da União Europeia (UE) de países de origem seguros.
Brunner acrescentou que a Comissão Europeia "continuará a trabalhar com as autoridades espanholas para assegurar uma utilização eficaz dos instrumentos disponíveis" no âmbito da política migratória, através das suas agências.
"Estou disponível para me deslocar aos pontos críticos, uma vez que a situação está em constante evolução. A nossa prioridade imediata é apoiar Espanha na proteção e gestão da fronteira externa da UE de forma eficaz e ordeira", acrescentou.
Nesse apoio, especificou, inclui-se "o combate às redes de tráfico de migrantes e a prevenção de viagens perigosas".
Esta sexta-feira, o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que os acontecimentos em Ceuta resultam de uma interpretação, por parte das redes de tráfico de seres humanos, da decisão do Supremo Tribunal espanhol que impedia as chamadas devoluções imediatas de pessoas que chegassem a nado ao território espanhol.
Segundo o Governo espanhol, 25.000 pessoas que entraram ilegalmente na cidade na quinta-feira e na madrugada desta sexta-feira já voltaram a Marrocos por iniciativa própria ao longo da manhã, estando a sair "a um ritmo de 150 pessoas por minuto".
O executivo espanhol estima em 50.000 o número de pessoas que entrou em Ceuta ilegalmente nas últimas 24 horas, enquanto o governo autónomo disse que podem ter sido 60.000.
O primeiro-ministro disse que tem havido boa cooperação com Marrocos nesta crise, agradecendo às autoridades de Rabat, e afirmou que vão ser acelerados os processos de repatriamento.