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Líder supremo do Irão considera envenenamentos "um crime imperdoável"

Débora Calheiros Lourenço 06 de março de 2023 às 20:22

Vários ativistas iranianos e grupos de direitos civis estão a convocar manifestações nacionais para denunciar o fracasso por parte das autoridades iranianas em investigarem a origem dos envenenamentos de alunas.

O líder supremo do Irão considerou a suspeita de envenenamento de várias alunas iranianas nos últimos meses como um crime "imperdoável", enquanto centenas de alunas estão a receber tratamento em hospitais.

Reuters

Ali Khamenei pede às autoridades que "levem a sério a questão do envenenamento das estudantes" pois estes "é um crime imperdoável e grande" referindo ainda que os responsáveis pelos crimes "devem ser severamente punidos".

Esta foi a primeira ação pública do líder supremo do Irão desde que as suspeitas de envenenamento começaram, há cerca de três meses. Foi apenas nas últimas semanas que as autoridades iranianas reconheceram os incidentes, sem forneceram mais detalhes sobre a origem dos mesmos ou os produtos químicos com que as alunas foram envenenadas.

Esta segunda-feira foi noticiado que o jornalista Ali Pourtabatabaei foi preso depois de fazer várias reportagens sobre o envenenamento. Vários ativistas iranianos e grupos de direitos civis estão a convocar manifestações nacionais para denunciar o fracasso por parte das autoridades iranianas em investigarem a origem dos envenenamentos.

Centenas de raparigas de pelo menos 25 das 31 províncias do Irão estão a receber tratamento por sintomas de envenenamento, alguns políticos têm referido que podem ter sido alvo de grupos religiosos extremistas que se opõem à educação das raparigas, seguindo o pensamento Talibã que vemos atualmente implantado no Afeganistão.

Até ao momento não existe nenhuma evidência de que os incidentes em questão se tratam realmente de envenenamentos e existem até alguns especialistas foram o Irão que referem que fatores psicológicos relacionados com o ambiente político que se tem vivido no país no últimos meses podem estar na origem de alguns dos casos.

Desde a morte de Mahsa Amini nas mãos da polícia da moralidade em setembro que o país tem vivido meses de agitação política com muitas manifestações contra as autoridades locais, pela primeira vez desde da Revolução Islâmica de 1979 as alunas juntaram-se aos protestos, cortaram o cabelo e recusaram-se a usar o hijab.

Algumas das ativistas acusam os estabelecimentos de ensino de as envenenarem como vingança. Ainda esta segunda-feira existiram relatos de suspeitas de envenenamento em 39 alunas em Shandarman Masal, 30 estudantes em Qochan e 16 em Neishabur.

A rápida disseminação dos casos levou vários observadores a compararem o caso com o que ocorreu no Afeganistão entre 2009 e 2012, quando centenas de raparigas por todo o país reclamaram ter sido envenenadas. Na atura e apesar das suspeitas da Organização Mundial da Saúde, não foram encontradas evidências para comprovar o fenómeno.

Ao contrário do Afeganistão, o Irão não tem um histórico de extremistas religiosos que se posicionam contra a educação de raparigas.

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