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Irão: Arábia Saudita ameaça com resposta militar por paciência ter limites

Lusa 19 de março de 2026 às 11:05

O Irão reagiu à ofensiva militar lançada por Israel e pelos Estados Unidos com ataques contra países do Médio Oriente com bases militares norte-americanas.

A Arábia Saudita advertiu esta quinta-feira o Irão que a paciência tem limites e ameaçou dar uma resposta militar aos ataques que tem sofrido, juntamente com outros países, em retaliação à ofensiva israelo-americana contra Teerão.

Delegação da Arábia Saudita reunida após ameaças do Irão. AP Photo/Baraa Anwer

"O reino e os seus parceiros possuem capacidades significativas e a paciência que temos demonstrado não é ilimitada", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros saudita, Faisal bin Farhan.

Sem adiantar prazos, o ministro saudita disse que a resposta militar regional poderá ocorrer a qualquer momento.

"Poderá ser um dia, dois dias ou uma semana, não o direi", afirmou a partir da capital, Riade, após uma reunião com 11 países para abordar a situação.

Bin Farhan realçou que a Arábia Saudita "se reserva o direito de adotar ações militares, se o considerar necessário".

As autoridades sauditas confirmaram o impacto de um drone numa refinaria na cidade portuária de Yanbu, nas costas do mar Vermelho, uma zona onde horas antes tinha sido destruído um míssil balístico.

Não foram divulgadas informações sobre eventuais vítimas ou danos.

O Irão reagiu à ofensiva militar lançada por Israel e pelos Estados Unidos em 28 de fevereiro com ataques contra países do Médio Oriente com bases militares norte-americanas.

Também tem atingido complexos energéticos no golfo Pérsico, sobretudo em resposta a ataques contra infraestruturas petrolíferas iranianas, além de ter praticamente bloqueado o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio petrolífero mundial.

O chefe da diplomacia saudita lamentou que "a pouca confiança" construída com o Irão após o reatamento dos laços diplomáticos em 2023, num acordo mediado pela China, tenha sido "completamente destruída", noticiou o diário saudita Arab News.

O ministro disse que a continuação dos ataques por parte do Irão poderá deixar "praticamente nada" por salvar na relação com a Arábia Saudita e a região.

"O Irão equivoca-se se acredita que os Estados do Golfo são incapazes de responder", advertiu, citado pela agência espanhola Europa Press (EP).

Bin Farhan apelou a Teerão para que reconsidere as posições e ações em resposta à ofensiva dos Estados Unidos e de Israel, e disse que Riade "procurou de forma sincera criar um clima regional mais estável".

"As ações do Irão demonstram que a sua prioridade não é o desenvolvimento, mas sim gerir crises e exportar tensões", afirmou, também citado pelo jornal Saudi Gazette.

Além do ataque contra a refinaria de Yanbu, o Ministério da Defesa saudita anunciou a destruição nas últimas horas de cerca de 20 drones, principalmente na zona oriental do país e nos arredores de Riade.

Teerão não se pronunciou até ao momento sobre os novos ataques com aparelhos não tripulados denunciados pela Arábia Saudita.

A guerra no Médio Oriente causou milhares de mortos, maioritariamente no Irão, e uma subida significativa dos preços do petróleo, fazendo recear uma crise económica global.

Perto das 10:00 em Lisboa, o preço do barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em maio, estava a subir 6,76%, para 114,64 dólares, pouco depois de ter aumentado mais de 10%.

Em contrapartida, o equivalente norte-americano, o barril de West Texas Intermediate, para entrega em abril, mostrava-se mais hesitante e recuava ligeiramente 0,53%, para 95,81 dólares.

O contrato a prazo do TTF neerlandês, considerado a referência europeia para o gás natural, subia 21,18%, para 66,24 euros por megawatt-hora, após ter aumentado 35%.

O analista da Global Risk Management Arne Lohmann Rasmussen antecipou uma pressão em alta nos preços nos próximos dias.

"A guerra entrou agora claramente numa fase em que as infraestruturas energéticas são diretamente visadas", justificou, em declarações à agência de notícias France-Presse (AFP).

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