Irão: 77 navios atravessaram o Estreito de Ormuz desde o início da guerra
Maioria das embarcações são pertencentes à 'frota fantasma'.
Cerca de 77 navios atravessaram o estreito de Ormuz desde o início da guerra no Médio Oriente, na sua maioria embarcações pertencentes à 'frota fantasma', disse esta sexta-feira a empresa de dados marítimos Lloyd's List Intelligence.
A expressão 'frota fantasma' designa o conjunto de navios que operam fora dos circuitos tradicionais de seguros e monitorização marítima, nomeadamente para transportar petróleo sujeito a sanções ou contornar certas regulamentações.
O Irão e a Rússia recorrem, em particular, a este tipo de frota. Esta inclui também navios operados por armadores oportunistas sem afiliação política clara.
"Registámos 77 travessias" desde o início do mês através do estreito, que os Guardas da Revolução iranianos pretendem manter fechado, afirmou Bridget Diakun, analista da Lloyd's List Intelligence, citada pela agência AFP.
Entre 01 e 11 de março de 2025, foram registadas 1.229 passagens pelo estreito, salienta, a título de comparação, esta empresa de dados ligada à revista marítima especializada Lloyd's List.
"Sem surpresa, as pessoas tentam sair do Golfo, mas mesmo assim acompanhámos 22 navios a dirigirem-se" para o interior da região, precisou Diakun.
Situado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, este braço de mar é particularmente estratégico para a exportação de hidrocarbonetos dos países do Golfo: um quinto da produção mundial de petróleo e um quinto do gás natural liquefeito transitam por lá.
Teerão tem como alvo o estreito de Ormuz em retaliação aos ataques de Israel e dos EUA, com o objetivo de o tornar intransitável, uma estratégia que visa prejudicar a economia mundial para pressionar Washington.
Desde 01 de março, 20 navios comerciais, incluindo nove petroleiros, foram atacados ou relataram incidentes na região, de acordo com a agência britânica de segurança marítima UKMTO.
A Organização Marítima Internacional (OMI) confirma, por seu lado, 16 incidentes, dos quais oito envolvendo petroleiros.
Segundo Diakun, "mais de metade dos petroleiros e metaneiros que transitam por Ormuz fazem parte da frota fantasma".
Estes "navios estão realmente habituados às perturbações", pelo que são mais suscetíveis de tentar a passagem, sublinha a analista, para quem o Irão, que possui uma importante 'frota fantasma', "continua a exportar".
A empresa de dados marítimos especifica que as passagens pelo Estreito de Ormuz foram, até agora, realizadas essencialmente por navios afiliados ao Irão (26%), à Grécia (13%) e à China (12%).
Por seu lado, a AFP contabilizou cerca de quarenta embarcações que atravessaram o estreito de Ormuz desde o início do conflito, tendo em conta apenas aquelas que mantiveram ativado o seu 'transponder' AIS, o sistema de identificação automática.
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