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Grok, a IA de Elon Musk, será usado em operações militares americanas

Pedro Henrique Miranda 01 de março de 2026 às 07:53

O Pentágono quer usar a inteligência artificial para vigiar cidadãos e criar armas autónomas. Musk ganha novo contrato com o executivo do qual já fez parte.

O Departamento de Defesa norte-americano chegou a um acordo com a empresa de inteligência artificial xAI, de Elon Musk, para empregar o seu modelo de IA, o Grok, em sistemas confidenciais e operações militares, depois de a empresa anteriormente contratada, a Anthropic, ter recusado conceder acesso livre ao seu modelo.

Grok Silas Stein/picture-alliance/dpa/AP Images

A notícia surge no seguimento da pressão exercida pelo Pentágono à Anthropic para remover barreiras de salvaguarda de potencial uso indevido da inteligência artificial do seu modelo, o Claude, o único até agora utilizado pelo Departamento de Defesa, e empregue em operações militares como a captura do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O Secretário da Defesa americano, Pete Hegseth, ameaçou cortar laços governamentais com a empresa, cancelando um contrato de cerca de €170 milhões, ou obrigá-la, através do Defense Production Act ("Lei de Produção da Defesa"), a obedecer às exigências da administração Trump caso não o faça voluntariamente até esta sexta-feira, 27 de fevereiro, às 22h (hora de Lisboa).

Por sua vez, a Anthropic disse que "não poderia em sã consciência" ceder às demandas do Pentágono, que insiste que o modelo de IA possa ser usado para "todos os propósitos legais", que incluem, neste caso, a vigilância em massa dos cidadãos americanos e o desenvolvimento de armas autónomas, capazes de matar sem supervisão humana - cenários sublinhados pela empresa como motivos de preocupação.

A xAI, de Musk - que já fez parte da administração Trump ao dirigir o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE) - concordou com as exigências do Pentágono, o que precipitou a assinatura do contrato entre ambos ainda antes do fim do prazo estipulado para a Anthropic.

Apesar da recusa, a Anthropic vincou que esperava que Hegseth "reconsiderasse" a posição do governo, dado o "substancial valor que as tecnologias oferecem às forças armadas", afirmando que a sua "forte preferência é continuar a servir o Departamento e os militares", embora com "as duas salvaguardas intactas". 

O porta-voz do Pentágono Sean Parnell disse na rede social X que o Departamento de Defesa não tinha "nenhum interesse" em usar o Claude para os dois cenários questionados pela Anthropic, mas que não ia abdicar de reivindicar o controlo total do modelo de IA, classificando as suas exigências como "pedidos simples e de senso comum que impedem a Anthropic de colocar em causa operações militares críticas".

Já o CEO da Anthropic, Dario Amodei, que se posiciona a favor da aplicação militar da IA, insistiu em restringir o uso do Claude para vigilância doméstica e drones autónomos, dizendo que alguns usos de inteligência artificial ainda estão fora dos limites do que "a tecnologia de hoje consegue fazer com confiança e segurança".

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