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General iraniano morreu "para impedir uma guerra", diz Trump

03 de janeiro de 2020 às 22:04

Após a morte de Qassem Soleimani, o presidente dos EUA afirmou ainda que o país "está pronto e preparado" para qualquer resposta por parte de Teerão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta sexta-feira que o general iraniano Qassem Soleimani foi morto para "parar uma guerra" e que o país "está pronto e preparado" para qualquer resposta por parte de Teerão.

"Agimos na última noite para parar uma guerra. Não atuámos para começar uma guerra", vincou o chefe de Estado norte-americano, durante uma declaração aos jornalistas na sua residência em Palm Beach, estado da Florida, acrescentando que está "pronto e preparado" para tomar "a decisão que seja necessária" mediante a resposta do Irão ao ataque.

Qassem Soleimani, comandante da força de elite dos Guardiães da Revolução iranianos, Al-Qods, morreu hoje num ataque dos Estados Unidos com um ‘drone’ (veículo aéreo não tripulado), em Bagdad, capital iraquiana, juntamente com o "número dois" da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque Hachd al-Chaab, Abu Mehdi al-Muhandis, e outras seis pessoas.

Donald Trump referiu também que Soleimani estava a planear "ataques iminentes e sinistros" contra diplomatas e militares norte-americanos.

"Apanhámo-lo no ato e neutralizámo-lo", declarou o presidente dos Estados Unidos, adiantando que "o reino de terror [de Soleimani] acabou".

Donald Trump considerou ainda que o general iraniano "fez da morte de pessoas inocentes uma paixão doentia" e que "muitas pessoas poderiam ter sido salvas" se o comandante da força de elite dos Guardiães da Revolução tivesse sido morto mais cedo.

Os Estados Unidos anunciaram hoje que vão enviar mais 3.000 militares para o Médio Oriente, após a morte daquele general, num ataque aéreo ordenado pelo presidente norte-americano.

Fontes do Departamento de Defesa, citados pela Associated Press sob condição de anonimato, referiram que os efetivos pertencem à 82.ª Divisão de Paraquedistas de Fort Bragg, no estado da Carolina do Norte.

Aqueles efetivos somam-se aos cerca de 700 soldados da 82.ª Divisão que foram enviados para o Koweit no início desta semana após a invasão do complexo da embaixada dos EUA em Bagdad por milicianos apoiados pelo Irão.

O ataque já suscitou várias reações, tendo quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas – Rússia, França, Reino Unido e China - alertado para o inevitável aumento das tensões na região e pedem às partes envolvidas que reduzam a tensão.

No Irão, o sentimento é de vingança, com o presidente e os Guardas da Revolução a garantirem que o país e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos.

Também o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, prometeu vingar a morte do general e declarou três dias de luto nacional, enquanto o chefe da diplomacia considerou que a morte como "um ato de terrorismo internacional".

Do lado do Iraque, o primeiro-ministro demissionário, Adel Abdel Mahdi, advertiu que este assassínio vai "desencadear uma guerra devastadora no Iraque" e o grande ayatollah Ali al-Sistani, figura principal da política iraquiana, considerou o assassínio do general iraniano Qassem Soleimani "um ataque injustificado" e "uma violação flagrante à soberania iraquiana".

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