Secções
Entrar

Federação Internacional de Jornalistas contabiliza 128 mortos em 2025, 56 deles na Palestina

Lusa 01 de janeiro de 2026 às 17:17

No contexto da ofensiva militar israelita contra a Faixa de Gaza.

A Federação Internacional de Jornalistas (FIP) contabilizou 128 profissionais do setor mortos em 2025 em todo o mundo, incluindo 56 na Palestina, no contexto da ofensiva militar israelita contra a Faixa de Gaza.
Morreram 56 jornalistas na Palestina AP
Num comunicado divulgado esta quinta-feira, a organização lamentou "mais um ano mortal para os jornalistas" e denunciou "a falta de vontade das autoridades para proteger os trabalhadores dos meios de comunicação", apelando a "medidas imediatas e drásticas para pôr fim ao ciclo de violência e impunidade". A lista inclui nove mortes acidentais e dez mulheres, e o total de 128 vítimas representa um aumento face a 2024, quando foram registadas 122 mortes. Desde 1990, a Federação Internacional de Jornalistas contabilizou 3.173 jornalistas mortos em todo o mundo, uma média anual de 91. "Os 128 jornalistas mortos num só ano não são apenas uma estatística, representam uma crise global", afirmou o secretário-geral da organização, Anthony Bellanger. "Estas mortes são um lembrete brutal de que os jornalistas são atacados com impunidade apenas por fazerem o seu trabalho", acrescentou, defendendo que os governos devem agir para proteger os profissionais, levar os responsáveis à justiça e defender a liberdade de imprensa. O secretário-geral defendeu ainda a necessidade de uma convenção das Nações Unidas que garanta a segurança e a independência dos jornalistas a nível global, afirmando que "o mundo não pode esperar mais". Por regiões, o Médio Oriente e o mundo árabe lideram a lista, com 74 jornalistas mortos, incluindo 56 na Palestina, o que representa 58% do total. Seguem-se o Iémen, com 13 mortes, e a Ucrânia, com oito. O Sudão registou seis mortes, a Índia e o Peru quatro cada um, e as Filipinas, o México e o Paquistão três cada. O caso mais emblemático foi o de Anas al Sharif, morto a 10 de agosto juntamente com outros cinco jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação num ataque israelita a uma tenda de imprensa junto ao hospital Al Shifa, na cidade de Gaza. Israel é também responsabilizado pela morte de 13 jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação no bombardeamento da redação do jornal 26 de Setembro, em Sana, no Iémen, considerado pela organização "um dos ataques mais graves contra sedes de meios de comunicação". Na Europa, a guerra na Ucrânia provocou a morte de oito jornalistas no país e de um na Rússia. A organização alerta para o uso de drones para atacar "deliberadamente" jornalistas ou os seus veículos, citando as mortes dos ucranianos Olena Hramova, Yevhen Karmazin e Tetiana Kulik, e do francês Antoni Lallican. Em África, o Sudão voltou a liderar com seis jornalistas mortos. Nas Américas, o Peru registou quatro mortes, seguido do México com três, e da Colômbia, Honduras e Equador, com uma cada. A organização publicou ainda uma lista de 533 jornalistas presos em todo o mundo, com a China no topo, com 143. Seguem-se Israel, com 74, Myanmar, com 49, Vietname, com 37, Egito, com 15, e o Iémen, com 11.
Artigos Relacionados
Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!
Artigos recomendados
As mais lidas
Exclusivo

Operação Influencer. Os segredos escondidos na pen 19

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima
Portugal

Assim se fez (e desfez) o tribunal mais poderoso do País

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela
Portugal

O estranho caso da escuta, do bruxo Demba e do juiz vingativo

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela