Secções
Entrar

Ex-funcionária processa MrBeast por assédio e despedimento após licença de maternidade

Tiago Neto 23 de abril de 2026 às 16:10

O processo judicial acusa a empresa do youtuber de promover um ambiente de trabalho tóxico, discriminação de género e violação de direitos laborais, dois anos depois das primeiras alegações terem surgido.

Uma antiga funcionária da empresa de , nome artístico do youtuber norte-americano Jimmy Donaldson, avançou com um processo judicial contra a produtora Beast Industries (MrBeastYouTube, LLC e GameChanger 24/7, LLC), alegando ter sido alvo de assédio durante anos e despedida após regressar de licença de maternidade. Segundo a  (AP) que noticiou o caso, Lorrayne Mavromatis apresentou uma ação no tribunal federal na Carolina do Norte, acusando a empresa de violar legislação laboral que protege trabalhadores em licença por motivos familiares.

MrBeast é processado por ex-funcionária por assédio e despedimento após licença de maternidade Jordan Strauss/Invision/AP

Mavromatis afirma que foi dispensada poucas semanas depois de retomar funções a tempo inteiro, após o nascimento do filho, apesar de ter continuado a trabalhar mesmo durante o parto. “Ainda estava a sangrar e tive de aparecer”, declarou à agência. A ação judicial inclui também uma queixa junto da Comissão para a Igualdade de Oportunidades no Emprego dos EUA, invocando discriminação com base no sexo, gravidez e retaliação.

O processo descreve um ambiente de trabalho descrito como “tóxico e misógino”, com alegações de assédio sexual e desigualdade de género dentro da empresa. Após reportar situações de assédio aos recursos humanos - então liderados pela mãe de Donaldson -, Lorrayne Mavromatis foi transferida e despromovida, acusação que a empresa rejeita. A Beast Industries, citada pela AP, classificou o processo como uma tentativa de obter notoriedade, sustentada em “declarações falsas e deturpadas”.

As acusações surgem num momento de expansão da empresa que tem procurado consolidar a sua presença para além do YouTube, com investimentos em televisão, tecnologia financeira e novas áreas de negócio. A Beast Industries emprega centenas de pessoas e tem vindo a recrutar executivos de grandes grupos mediáticos, numa estratégia de crescimento acelerado.

O caso levanta novas questões sobre a cultura interna da organização, dois anos depois das primeiras críticas públicas, relacionadas com linguagem ofensiva no passado, e alegações de comportamento impróprio por parte de colaboradores próximos de Donaldson. Na sequência dessas polémicas, o próprio reconheceu, em comunicação interna citada pela imprensa, a necessidade de “criar uma cultura que faça todos os funcionários sentirem-se seguros”.

A ação judicial de Lorrayne Mavromatis tem o apoio da Time’s Up Legal Defense Fund, organização ligada ao combate ao assédio no local de trabalho. “Locais de trabalho abusivos dependem da falta de responsabilização”, afirmou Jennifer Mondino, responsável da organização, citada pela Associated Press. O processo segue agora para apreciação judicial, num caso que poderá ter implicações mais amplas para uma das maiores marcas do entretenimento digital.

Detentor atual do record de subscritores do YouTube - contam-se mais de 470 milhões e 118,7 mil milhões de visualizações - Donaldson começou a publicar vídeos na plataforma em 2012, ainda adolescente. O sucesso deve-se aos formatos de grande escala, desafios virais e iniciativas filantrópicas que contribuíram para a sua projeção global.

Artigos Relacionados
Artigos recomendados
As mais lidas