Como encontro com mulher 'tramou' El Mencho: a operação que levou à morte do narcotraficante
Traficante morreu a bordo de um helicóptero juntamente com dois dos seus homens.
Escondido nas montanhas de Jalisco e rodeado pelos seus homens de confiança, Nemesio Rubén Oseguera-Cervantes, conhecido por El Mencho, o narcotraficante mexicano mais procurado do mundo, foi apanhado e morto pelas autoridades mexicanas no último domingo graças ao encontro com uma mulher.
Fundador do Cartel Jalisco Nueva Generacion (CJNG), um império criminoso com mais de quatro décadas, El Mencho era procurado no México e nos Estados Unidos. Aliás, os norte-americanos ofereciam 15 milhões de dólares a quem fornecesse informações que conduzissem à sua detenção. Mas foi graças a uma mulher que o traficante acabou por ser apanhado naquela que é já a operação mais significativa do país na luta contra o crime organizado, conforme contou o secretário de Defesa Nacional, Ricardo Trevilla.
O general explicou à imprensa mexicana que as autoridades, em parceria com os Estados Unidos, desconfiavam há algum tempo que o criminoso poderia estar escondido em Tapalpa, uma cidade com cerca de 20.000 habitantes no interior do estado de Jalisco. "Havia informações adicionais que os EUA nos forneceram e que, integradas com as que já tínhamos, nos permitiram identificar a sua localização exata", afirmou.
Na última sexta-feira chegou a confirmação: uma das companheiras de El Mencho estava ser levada para o esconderijo. Tratava-se de Rosalinda González Valencia, com quem o criminoso era casado, que chegou a ser presa em 2018. As autoridades localizaram um homem que iria buscá-la e seguiram-no. "Ela encontrou-se com El Mencho e, no sábado, saiu da propriedade. Obtivemos informações de que 'El Mencho' permaneceu lá com uma equipa de segurança”, referiu Ricardo Trevilla.
A mulher saiu e as forças de segurança ficaram. O traficante tinha cerca de uma dezena de guarda-costas nas cabanas onde se encontrava escondido e as forças especiais começaram a preparar o ataque, por terra e pelo ar. Foram posicionados seis helicópteros nos arredores de Jalisco e a operação aconteceu às primeiras horas da manhã de domingo.
Os militares rodearam as cabanas mas os guarda-costas do traficante abriram fogo. "El Mencho saiu e deixou um grupo com uma grande quantidade de armas. Foi um ataque muito violento o que foi realizado pelo grupo criminoso organizado. Os militares das forças especiais retaliaram e morreram um total de oito criminosos”, explicou Trevilla, acrescentando ainda que dois soldados ficaram feridos.
El Mencho fugiu para a floresta, a pé, juntamente com quatro dos seus homens. "As forças especiais perseguiram-nos e foi estabelecido um perímetro. Encontraram-no escondido na vegetação rasteira e ele abriu fogo contra os membros das forças especiais. Também tinham lançadores de foguetes, mas, felizmente, não os usaram.”
Nesta 'batalha' campal um soldado, El Mencho e dois seus homens foram feridos. As equipas médicas foram acionadas quando a situação assim o permitiu; o líder do cartel e os seus homens estavam em estado crítico. Foram transportados de helicóptero para Guadalaja, mas acabaram por morrer durante o trajeto.
A meio do percurso, com El Mencho e os seus homens mortos, foi decidido transportar os corpos para a Cidade do México. "Não era aconselhável ir para Guadalajara, principalmente devido ao risco de que o grupo realizasse mais ações violentas na capital de Jalisco."
No entanto, esse facto não impediu que a violência estalasse um pouco por todo o país. Em retaliação, o braço direito de El Mencho começou a organizar bloqueios de estradas e ações violenta. "Ofereciam 20 mil pesos (cerca de mil euros) por cada soldado morto pelo CJNG".
Desde a morte de El Mencho as autoridades mexicanas já contabilizaram pelo menos 72 mortos: 45 do crime organizado, 26 das forças de segurança e um civil.