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Como encontro com mulher 'tramou' El Mencho: a operação que levou à morte do narcotraficante

Isabel Dantas 24 de fevereiro de 2026 às 08:51

Traficante morreu a bordo de um helicóptero juntamente com dois dos seus homens.

Escondido nas montanhas de Jalisco e rodeado pelos seus homens de confiança, Nemesio Rubén Oseguera-Cervantes, conhecido por El Mencho, o narcotraficante mexicano mais procurado do mundo, foi apanhado e morto pelas autoridades mexicanas no último domingo graças ao encontro com uma mulher.
Morte de El Mencho deixou o México mergulhado num clima de guerra EPA
Fundador do Cartel Jalisco Nueva Generacion (CJNG), um império criminoso com mais de quatro décadas, El Mencho era procurado no México e nos Estados Unidos. Aliás, os norte-americanos ofereciam 15 milhões de dólares a quem fornecesse informações que conduzissem à sua detenção. Mas foi graças a uma mulher que o traficante acabou por ser apanhado naquela que é já a operação mais significativa do país na luta contra o crime organizado, conforme contou o secretário de Defesa Nacional, Ricardo Trevilla. O general explicou à imprensa mexicana que as autoridades, em parceria com os Estados Unidos, desconfiavam há algum tempo que o criminoso poderia estar escondido em Tapalpa, uma cidade com cerca de 20.000 habitantes no interior do estado de Jalisco. "Havia informações adicionais que os EUA nos forneceram e que, integradas com as que já tínhamos, nos permitiram identificar a sua localização exata", afirmou. Na última sexta-feira chegou a confirmação: uma das companheiras de El Mencho estava ser levada para o esconderijo. Tratava-se de Rosalinda González Valencia, com quem o criminoso era casado, que chegou a ser presa em 2018. As autoridades localizaram um homem que iria buscá-la e seguiram-no. "Ela encontrou-se com El Mencho e, no sábado, saiu da propriedade. Obtivemos informações de que 'El Mencho' permaneceu lá com uma equipa de segurança”, referiu Ricardo Trevilla. A mulher saiu e as forças de segurança ficaram. O traficante tinha cerca de uma dezena de guarda-costas nas cabanas onde se encontrava escondido e as forças especiais começaram a preparar o ataque, por terra e pelo ar. Foram posicionados seis helicópteros nos arredores de Jalisco e a operação aconteceu às primeiras horas da manhã de domingo.  Os militares rodearam as cabanas mas os guarda-costas do traficante abriram fogo. "El Mencho saiu e deixou um grupo com uma grande quantidade de armas. Foi um ataque muito violento o que foi realizado pelo grupo criminoso organizado. Os militares das forças especiais retaliaram e morreram um total de oito criminosos”, explicou Trevilla, acrescentando ainda que dois soldados ficaram feridos.
El Mencho fugiu para a floresta, a pé, juntamente com quatro dos seus homens. "As forças especiais perseguiram-nos e foi estabelecido um perímetro. Encontraram-no escondido na vegetação rasteira e ele abriu fogo contra os membros das forças especiais. Também tinham lançadores de foguetes, mas, felizmente, não os usaram.” Nesta 'batalha' campal um soldado, El Mencho e dois seus homens foram feridos. As equipas médicas foram acionadas quando a situação assim o permitiu; o líder do cartel e os seus homens estavam em estado crítico. Foram transportados de helicóptero para Guadalaja, mas acabaram por morrer durante o trajeto.  A meio do percurso, com El Mencho e os seus homens mortos, foi decidido transportar os corpos para a Cidade do México. "Não era aconselhável ir para Guadalajara, principalmente devido ao risco de que o grupo realizasse mais ações violentas na capital de Jalisco." No entanto, esse facto não impediu que a violência estalasse um pouco por todo o país. Em retaliação, o braço direito de El Mencho começou a organizar bloqueios de estradas e ações violenta. "Ofereciam 20 mil pesos (cerca de mil euros) por cada soldado morto pelo CJNG". Desde a morte de El Mencho as autoridades mexicanas já contabilizaram pelo menos 72 mortos: 45 do crime organizado, 26 das forças de segurança e um civil.   
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