Artista urbano processa FIFA em 25 milhões de dólares por destruição de mural
O mural “Whaling Wall 82" faz parte da paisagem de Dallas, no Texas, desde 1999. Mas está a ser desenhado por cima um novo mural para promover jogos do Mundial. O seu autor, o artista Wyland, está a processar a FIFA.
Concluído em 1999, “Whaling Wall 82" é uma das muitas obras alusivas à vida marinha que o artista Wyland espalhou pelo mundo entre 1981 e 2008, todas alusivas à vida marinha, da qual é acérrimo defensor. Um projeto conhecido como Whaling Walls e uma das maiores empreitadas de arte pública da história. Mas o mural n.º 82 foi destruído pela FIFA, acusa Wyland, exigindo uma indemnização de 25 milhões de dólares (21,6 milhões de euros).
"A FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE FUTEBOL FIFA ACABOU DE DESTRUIR UM DOS MEUS MURAIS ICÓNICOS MAIS BONITOS que a minha equipa e eu pintámos para o povo de Dallas para sensibilizar sobre a proteção dos nossos oceanos. Por favor, deixem-nos ouvir a vossa opinião!", escreve o artista na sua página de Instagram, numa publicação onde revela o antes e o depois da intervenção da FIFA.
O mural de 1.580 metros quadrados estendia-se ao longo de duas paredes de um edifício, gerido pela empresa Slate Asset Management, mas na fachada com mais área já não há baleias. Segundo a Associated Press (AP), foi no mês passado que a nova tinta começou a cobrir o mural, causando indignação entre os residentes. Em comunicado, o comité organizador local do Mundial declarou que, no lugar do mural de Wyland, está prevista uma nova obra “que capte este momento histórico atual e reflita a energia, unidade e espírito global em torno do Mundial de 2026”, acrescentando que uma parte do mural será preservada.
Esta terça-feira, um porta-voz da FIFA declarou que a federação “não teve qualquer envolvimento” no caso e remeteu o jornalista para o comité organizador local do torneio, diz a AP, mas o Comité Organizador do Norte do Texas, que não está listado como réu no processo, recusou comentar. Por sua vez, a Slate Asset Management afirmou que foram os organizadores locais do Mundial que pediram em março a cedência do espaço do mural para “uma nova instalação artística pública”. A empresa garante que não está a ser compensada pela utilização da parede e que tinha sido informada de que o Wyland estava a par da situação.
Na ação apresentada esta segunda-feira no Tribunal Distrital dos EUA em Dallas, Wyland alega que os organizadores do Mundial, juntamente com o proprietário do edifício e a empresa de gestão, pintaram o mural sem o seu consentimento ou sequer o notificarem, violando uma lei federal de 1990 (a Visual Artists Rights Act) destinada a proteger obras de arte de “reconhecido valor”, mesmo quando pertencem fisicamente a outra entidade. Em 2018, um juiz evocou essa lei ao ordenar que um proprietário em Nova Iorque pagasse 6,7 milhões de dólares a um grupo de artistas de graffiti por ter pintado de branco dezenas dos seus murais numa antiga fábrica no bairro do Queens.