Ulisses regressa em força: 'A Odisseia' domina as bilheteiras
Em poucos dias, o mais recente filme de Christopher Nolan bateu a concorrência e instalou-se no primeiro lugar. Em Portugal, quase 100 mil pessoas já viram o filme.
Matt Damon como Aquiles em "Odisseia" de NolanD. R.
A Odisseia, escrita por Homero, é um poema épico com quase três mil anos que já conheceu inúmeras adaptações. Atribuída ao autor, e construída a partir de uma longa tradição oral, alimentada por poetas-cantores, A Odisseia - situada após os acontecimentos narrados - continua, em 2026, a captar a atenção de milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) contou mais de 100 mil espectadores nos primeiros quatro dias de exibição, mas as bilheteiras “lá fora” contam milhões.
Mesmo remando contra muitas vozes críticas da escolha do elenco, por não corresponder às personagens da epopeia que, enfim, é ficcional, bastaram apenas alguns dias, e nem tanto uma odisseia, para que o novo filme de Christopher Nolan superasse em larga escala o interesse do público pelos filmes do momento. Ou seja, o remake em imagem real de Vaiana e os filmes de animação Mínimos e Monstros e Toy Story 5 foram superados por um filme que, em Portugal, tem a indicação “maiores de 14”, o que à partida afasta o público imberbe desta tela. O engraçado é que nos Estados Unidos a classificação está fixada na categoria R, de “restrito”. Neste caso, menores de 17 anos podem entrar desde que acompanhados pelos pais (ou um adulto por eles responsável).
Ainda assim, no fim de semana de estreia A Odisseia arrecadou 124,5 milhões de dólares (cerca de 109 milhões de euros) em 3.919 salas de cinema norte-americanas, assinalando a melhor estreia de Nolan desde 2012, ano em que O Cavaleiro das Trevas Renasce faturou 160 milhões de dólares no fim de semana de estreia. No mesmo mercado, fica em terceiro lugar na categoria “maior estreia do ano”, atrás de Toy Story 5 (159 milhões de dólares) e Super Mario Galaxy: O Filme (131 milhões de dólares). O que não deixa de ser impressionante, porque além da limitação na idade do público, A Odisseia enfrenta outro desafio numa época marcada pelo consumo rápido de conteúdos e por uma capacidade de atenção cada vez mais reduzida: tem quase três horas de duração.
No mercado internacional (e numa tabela que inclui 73 países, Portugal incluído), o filme arrecadou 139,6 milhões de dólares, neste caso a maior estreia global da carreira de Christopher Nolan, superando O Cavaleiro das Trevas, O Cavaleiro das Trevas Renasce e Oppenheimer.
Segundo a imprensa especializada norte-americana, a Universal investiu cerca de 250 milhões de dólares na produção de A Odisseia, aos quais se somam aproximadamente 125 milhões gastos em marketing, elevando o investimento total para perto de 375 milhões de dólares. Com uma receita mundial de 264 milhões de dólares nos primeiros dias de exibição, a aposta da Universal parece ter começado com o pé direito.