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Amazon abandona filme de Luca Guadagnino sobre Sam Altman

"Artificial", já quase concluído, dramatiza a crise interna da OpenAI que levou ao despedimento e regresso do CEO, Altman, em 2023.

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Luca Guadagnino
Luca Guadagnino Rocco Spaziani/picture-alliance/dpa/AP Images

A Amazon MGM Studios desistiu de lançar Artificial, o filme de Luca Guadagnino sobre Sam Altman e a crise interna que abalou a OpenAI em 2023. A produção, protagonizada por Andrew Garfield no papel do CEO da empresa dona do ChatGPT, está já numa fase avançada de pós-produção e será agora apresentada a outros estúdios ou distribuidores.

Artificial foi desenvolvido pela Amazon MGM, tem Guadagnino na realização, argumento de Simon Rich e um elenco que inclui Garfield, Monica Barbaro, Yura Borisov, Cooper Hoffman, Jason Schwartzman, Mark Rylance e Ike Barinholtz. A imprensa norte-americana descreve-o como uma comédia dramática inspirada na curta, mas intensa, crise de governação que levou ao afastamento temporário de Altman da liderança da OpenAI.

Numa declaração citada pela , a Amazon afirmou ter “o maior respeito e admiração” por Guadagnino, mas considera que Artificial será “melhor servido” se for lançado por outro estúdio. A empresa acrescentou que está a trabalhar com a equipa do filme para encontrar uma nova casa para o projeto. A formulação oficial evita explicar as razões da desistência.

O acordo alterou significativamente a relação entre as duas empresas. Em fevereiro deste ano, a OpenAI e a Amazon anunciaram uma parceria plurianual que prevê o investimento de 50 mil milhões de dólares (cerca de 46 mil milhões de euros), da Amazon na OpenAI.

O acordo inclui a integração de ferramentas da OpenAI nos serviços da Amazon Web Services (AWS), o uso de capacidade computacional da Amazon e o desenvolvimento de modelos personalizados para aplicações da própria Amazon. Em abril, a noticiou ainda a disponibilização dos modelos mais recentes da OpenAI e do Codex na plataforma Amazon Bedrock.

A proximidade empresarial torna mais sensível um filme centrado num dos episódios mais controversos da história recente da OpenAI. Em novembro de 2023, o conselho de administração demitiu Sam Altman, alegando que este não tinha sido consistentemente transparente nas comunicações com o board.

A decisão provocou uma crise imediata: Mira Murati – atual CEO da Thinking Machines Lab – assumiu interinamente a liderança, Greg Brockman deixou a presidência do conselho e centenas de trabalhadores ameaçaram sair caso Altman não regressasse. Cinco dias depois, o executivo voltou ao cargo com um novo conselho de administração.

Artificial parte precisamente desse episódio. O envolvimento de Guadagnino reforçou a expectativa em torno do filme, que foi rapidamente colocado no circuito de projetos mais observados de Hollywood sobre tecnologia e poder.

A produção avançou ao longo de 2025, com novos nomes a integrarem o elenco durante o verão, caso de Cooper Koch, Jason Schwartzman, Billie Lourd, Zosia Mamet e Mark Rylance. As filmagens decorreram em São Francisco, incluindo no Dolores Park, bem como em Itália. O projeto chegou a ser apontado para uma estreia em 2026 ou início de 2027.

O caso insere-se num movimento mais amplo de Hollywood para dramatizar o poder das grandes tecnológicas. Artificial foi frequentemente comparado a A Rede Social (2010), de David Fincher, pela tentativa de transformar uma crise corporativa recente num retrato de ambição, influência e disputa pelo controlo de uma empresa central na economia digital. A diferença é que, neste caso, a empresa retratada continua no centro de uma disputa tecnológica ainda em curso, e uma das suas principais parceiras comerciais tornou-se a própria Amazon.

Luca Guadagnino, nascido em Palermo em 1971, é um dos realizadores italianos mais reconhecidos da sua geração. Ganhou projeção internacional com Io sono l’amore, consolidou o estatuto com o filme A Bigger Splash e alcançou a consagração com Chama-me Pelo Teu Nome, nomeado para quatro Óscares, incluindo melhor filme, e vencedor do prémio de melhor argumento adaptado para James Ivory. Em 2022, Guadagnino venceu o Leão de Prata de melhor realização no Festival de Veneza com . Entre os seus trabalhos mais recentes estão , Queer e Depois da Caçada.

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