O jovem sul-coreano tinha sete anos quando se tornou viral. Uma década depois, estreia-se no género K-pop como Baby Shark Boy. "WAVE" é o primeiro single.
Park Geonroung tinha sete anos quando abriu e fechou as mãos para imitar a boca de um tubarão. A dança durava poucos segundos, mas acabaria repetida à escala de milhares de milhões. Lançado pela empresa sul-coreana Pinkfong em 2016, o vídeo de Baby Shark Dance ultrapassou os 17,2 mil milhões de visualizações e tornou-se o mais visto da história do YouTube - em comparação, o segundo lugar é ocupado pela canção infantil Wheels on a Bus (9,28 mil milhões). Uma década depois, o rapaz que aparecia numa pequena televisão regressa ao lugar de onde partiu: a música.
Agora com 17 anos, Park estreou-se a solo na K-pop, a 20 de agosto, sob o nome artístico Baby Shark Boy. O primeiro single, WAVE, conta com a participação de Joohoney, do grupo Monsta X, e recupera, nos segundos iniciais, a melodia familiar de Baby Shark, antes de avançar para um tema eletropop cantado em coreano e inglês. Park participou na escrita da letra, procurando transformar uma recordação de infância numa apresentação do artista que procura ser.
A distinção não é pequena. Embora tenha protagonizado o vídeo ao lado de outra criança, a voz que se ouvia na gravação original não era a sua. Park tornou-se mundialmente reconhecível sem que o mundo soubesse como cantava. WAVE funciona, por isso, como uma estreia em sentido literal; depois de ter dado um rosto ao maior fenómeno infantil da Internet, mostra finalmente a própria voz.
A dimensão do sucesso não lhe retirou, garante, uma infância relativamente normal. Nos anos seguintes, participou noutros projetos da Pinkfong, mas não viveu permanentemente sob os holofotes. Ainda assim, a figura do rapaz de Baby Shark nunca desapareceu por completo da memória digital.
Em vez de fugir dessa associação, Park decidiu incorporá-la. O nome Baby Shark Boy e a reutilização da melodia original revelam uma estratégia simultaneamente nostálgica e pragmática; usar a celebridade que recebeu em criança para construir uma identidade artística adulta. A própria Pinkfong apoia o lançamento, embora a continuidade do projeto possa depender da receção ao single.
Park, porém, fala de WAVE como um começo, não como uma experiência isolada. Quer escrever outras histórias, explorar novos géneros e mostrar diferentes lados de si através da música e de outros conteúdos. Um documentário de bastidores, WAVE: A Boy’s Record, acompanha a passagem da estrela infantil ao aspirante a cantor e compositor.
Há dez anos, Park ajudou o mundo a cantar uma música que não era cantada por ele. Agora, Baby Shark Boy tenta descobrir se o público está disposto a ouvi-lo quando o refrão termina.