Bang Si-hyuk, fundador e presidente da Hybe, está no centro de uma investigação judicial na Coreia do Sul depois de a polícia ter requerido um mandado de detenção por alegada fraude financeira ligada à entrada em bolsa da empresa. Segundo a Reuters, as autoridades suspeitam que o executivo tenha induzido investidores a vender participações com base em informações enganosas, num processo que poderá ter gerado lucros ilegais significativos.
Segundo o mesmo meio, os investigadores alegam que, em 2019, Bang terá garantido aos acionistas que não havia planos para uma oferta pública inicial iminente, levando-os a alienar as suas posições a um fundo de private equity associado a pessoas do seu círculo. Após a entrada em bolsa da Hybe, esse fundo terá vendido as ações com lucro, sendo que Bang é suspeito de ter recebido cerca de 30% desses ganhos, num total estimado em 190 mil milhões de won (cerca de 109,6 milhões de euros à taxa de câmbio atual). O empresário já negou qualquer irregularidade, enquanto a empresa recusou comentar o caso.
A dimensão jurídica do processo poderá ser significativa. Segundo o Korea Times, a legislação sul-coreana prevê penas mínimas de cinco anos de prisão para casos de fraude com valores superiores a 5 mil milhões de won (aproximadamente 2,9 milhões de euros), podendo chegar a prisão perpétua nos casos mais graves. A investigação terá tido início no final de 2024 e incluiu buscas à bolsa de valores sul-coreana e à sede da empresa, de acordo com o mesmo jornal.
Fundada em 2005 por Bang Si-hyuk – então sob o nome Big Hit Entertainment –, a Hybe tornou-se uma das maiores empresas da indústria K-pop, responsável por artistas como os BTS, além de outros projetos internacionais. Segundo a Variety, o crescimento da empresa está intimamente ligado ao sucesso global dos BTS, que transformaram a Hybe numa potência global do entretenimento.
O pedido de mandado de detenção surge num momento sensível para a empresa. De acordo com a Reuters, as ações da Hybe registaram quedas após a notícia, num período em que o grupo BTS regressou recentemente aos palcos após o cumprimento do serviço militar obrigatório dos seus membros. A decisão final sobre a detenção caberá agora a um tribunal sul-coreano, que terá de validar o pedido apresentado pelas autoridades.
O caso levanta novas questões sobre a governação e transparência no setor do entretenimento sul-coreano, numa altura em que a indústria K-pop mantém uma forte presença nos mercados internacionais e uma crescente relevância económica.