O novo filme de Olivier Assayas estreia esta quinta-feira nos cinemas portugueses, com Paul Dano e Jude Law nos papéis principais.
Uma "narração enfadonha e interminável", "qualidade episódica" e "uma crónica extensa e esporadicamente divertida" são algumas das críticas internacionais ao novo filme do francês Olivier Assayas, que estreia esta quinta-feira nos cinemas portugueses. O Mago de Kremlin, inspirado no romance de Giuliano da Empoli, foca-se na história de Vadim Baranov, um conselheiro do presidente russo Vladimir Putin, que desempenha um papel na construção da máquina de propaganda da Federação Russa, após o colapso da URSS.
Quando o filme foi apresentado no verão de 2025, durante o Festival de Veneza, as interpretações de Paul Dano (Baranov) e Jude Law (Putin) receberam elogios, mas ainda assim não foram suficientes para convencer a crítica. Jordan Mintzer, crítico de cinema do The Hollywood Reporter, considerou que a "trama se perde no meio de muitas personagens e eventos" e que a narrativa condensa demasiada informação em pouco tempo. Já Owen Gleiberman, da revista Variety, elogia Jude Law e Paul Dano, no entanto refere que o filme tem "qualidade episódica, com uma sucessão de acontecimentos que não lhe permite ganhar força".
Muitos críticos falam também no facto de o espetador nunca chegar a conhecer de forma profunda as emoções de Baranov, o que dificulta a criação de uma ligação empática com a personagem. No entanto, nem todas as avaliações foram negativas: o jornal britânico The Times refere que Jude Law está "perfeito como um Putin petulante" e em Espanha, o crítico de cinema do El País, Javier Ocaña, descreve o filme como uma "uma obra imponente", que "dá a impressão de ser planeada por gente com uma inteligência e um saber superior".
O livro que serviu de inspiração ao filme, publicado em 2022, recebeu vários prémios e só em França chegou a vencer cerca de meio milhão de exemplares.