Entrevista
Saúde

Bruno Maia: "Já existem mais hospitais privados do que públicos"

Bruno Maia: 'Já existem mais hospitais privados do que públicos'
Lucília Galha 30 de setembro
Biografia Nome:

Bruno Maia

Cargo:

Médico neurologista e intensivista

Nascimento:

39 anos

Nacionalidade:

Portuguesa

No livro "O Negócio da Saúde", o médico neurologista expõe a forma como os grupos de saúde privados têm crescido com o mau funcionamento do setor público. À SÁBADO, o também militante do Bloco de Esquerda, fala ainda sobre a promiscuidade entre os dois setores e sobre a escolha deliberada de suborçamentar o SNS.

Bruno Maia é médico do Serviço Nacional de Saúde, mas escreveu um livro sobre a medicina privada em Portugal. Paradoxo? Não, na verdade, faz sentido: é que falando de um, fala incontornavelmente do outro setor. Até porque o ponto de partida é justamente a forma como os grupos privados de saúde têm crescido às custas do Serviço Nacional de Saúde. "Aquilo que eu tenho visto nos últimos anos é justamente esta relação de predação que o setor privado tem tido sobre o público: o privado tem predado os recursos do público, os profissionais, os serviços e os doentes", diz à SÁBADO, numa conversa telefónica.

"Eu quis olhar para este setor privado, perceber quem ele é e como funciona, quais são as estratégias que utiliza para ter esta relação, para conseguirmos ter uma discussão mais informada, séria e calma sobre que futuro queremos para o SNS", avança. Para escrever o "O Negócio da Saúde", editado pela Bertrand, o neurologista e também intensivista do Hospital de São José, em Lisboa, só usou dados de instituições oficiais e que estavam disponíveis a toda a população. Diz que a metodologia acaba por também ser uma conclusão. Razão: "É possível ter um debate informado sobre saúde e sobre o SNS com informação de fácil acesso. Muitas vezes não é isso que acontece e o debate está inquinado por informações falsas e preconceitos", aponta.     

Ao longo de 175 páginas, o também candidato do Bloco de Esquerda à Câmara de Gondomar - nas últimas eleições autárquicas - afirma, sem pudor, que "manter o SNS com a corda ao pescoço" foi uma "escolha política", que gerir um hospital público se tornou "num exercício de mercearia" e que a promiscuidade entre os dois setores foi deliberada e é promovida pelo próprio sistema, pelo forma como está montado.



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