Comprar casa em Portugal pode parecer uma missão impossível, mas uma nova plataforma promete ajudar. Ao inserir o salário, as poupanças disponíveis e benefícios como o IMT Jovem, o simulador Onde Habitar mostra em que concelhos é possível comprar casa.
Num momento em que o tema da habitação regressa ao centro do debate público, surgiu um novo simulador que promete responder a uma questão cada vez mais comum entre os portugueses: onde é possível comprar casa com o salário que se recebe. A plataforma ondehabitar.pt, foi criada por Sérgio Silva e David Russo, fundador e cofundador da empresa de cibersegurança CyberS3c, e permite calcular a capacidade de compra de uma habitação tendo em conta fatores como o rendimento, as poupanças disponíveis para a entrada ou o acesso ao IMT Jovem. A SÁBADO decidiu pô-la à prova
Novo simulador mostra em que concelhos é possível comprar casa de acordo com o salárioMiguel Baltazar
Tomemos como exemplo Lisboa, atualmente o concelho que possui as casas mais caras do País. Segundo a plataforma, o valor médio ronda os 5.192 euros por metro quadrado, o que significa que uma casa com 100 metros quadrados poderá custar os 519 mil euros. Assim, só a entrada pode ultrapassar os 136 mil euros.
A plataforma permite ainda perceber qual seria o impacto da aquisição no rendimento. Para quem recebe o salário mínimo nacional, correspondente a um rendimento líquido pouco superior a 800 euros por mês, comprar casa em Lisboa seria praticamente impossível. O simulador conclui que "mais de metade do rendimento iria para a prestação".
Plataforma ondehabitar.ptDireitos Reservados
Existe também a possibilidade de calcular o valor da entrada beneficiando do IMT Jovem (destinado a pessoas até aos 35 anos). Ainda assim, no caso de Lisboa, o montante rondaria os 124 mil euros.
A SÁBADO testou igualmente qual seria o rendimento necessário para adquirir uma habitação na capital. Segundo a plataforma, seria preciso auferir de pelo menos 2.950 euros líquidos mensais. Mesmo neste cenário, surge um aviso: "É possível, mas sem margem para imprevistos".
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Mesmo nos arredores, os preços continuam longe do alcance de muitos portugueses. Em Odivelas, por exemplo, uma habitação com 100 metros quadrados custa em média cerca de 359 mil euros. Para quem recebe o salário mínimo, a prestação mensal seria insustentável, uma vez que rondaria os 963 euros, considerando a taxa de juro mista. A entrada, por sua vez, ultrapassaria os 100 mil euros.
De acordo com os cálculos da plataforma, seria necessário um rendimento líquido de aproximadamente 1.950 euros para comprar uma casa neste concelho.
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A situação não é muito diferente na Amadora, onde as casas rondam os 331 mil por 100 metros quadrados. Assim, seriam precisos perto de 71 mil euros para a entrada.
A prestação mensal rondaria os 971 euros, o que significa que só ganhando quase 2 mil euros líquidos conseguiria suportar a despesa. Com IMT Jovem, a entrada ficaria reduzida a 58 mil euros.
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Então que opções existem para quem recebe o salário mínimo?
Para quem esteja disposto a afastar-se da capital, existem alternativas mais baratas.
Em Mogadouro, no distrito de Bragança, uma habitação com 100 metros quadrados custa, em média, 35 mil euros. Neste caso, bastaria uma entrada ligeiramente superior a 5 mil euros e a prestação mensal ficaria pelos 113 euros, o equivalente a apenas 14% do rendimento de quem recebe o salário mínimo.
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Números semelhantes encontram-se, por exemplo, em Pinhel, no distrito da Guarda, onde seria necessária uma entrada que ronda os 6 mil euros, tomando a compra de uma habitação significativamente mais acessível do que nos principais centros urbanos.
As simulações mostram que a possibilidade de comprar casa continua a existir, mas principalmente para quem está disposto a afastar-se dos grandes centros urbanos. Contudo, para grande parte dos portugueses, o acesso à habitação permanece fortemente condicionado pelo rendimento disponível.
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